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Taísa Fontana

“Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. Efésios 4:5

Isso era o que afirmam insistentemente os meus avós. Na época, pensava eu que se tratava de coisa de gente velha. O que eu não sabia é que essas palavras, anos mais tarde, ecoariam em mim, e que; com a graça Divina, eu constataria que eles estavam cobertos de razão.

O falecido arcebispo Fulton Sheen escreveu certa vez: “Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiam a Igreja Católica; mas há milhões de pessoas que odeiam aquilo que erroneamente supõem ser a Igreja Católica”. Eu era uma dessas pessoas, muito embora diferente de um país protestante como os EUA, eu cresci em um país historicamente e majoritariamente católico, e por uma escolha que não foi minha, afastei-me da ÚNICA, SANTA e VERDADEIRA Igreja de Cristo.

Santo Ambrósio vai dizer que “Não é o homem que encontra a Verdade, mas a Verdade que encontra o homem.” No meu caso, a verdade muito além de ser um ofício de formação é, acima de tudo, minha maior vocação.

Sempre fui uma pessoa que preferia a pior verdade a melhor mentira e; assim, motivada pelo compromisso com a verdade, a jornalista aqui entrou em ação; eu queria a verdade a todo custo, independente do que fosse e de onde ela estivesse.

Nasci católica, aos 7 por decisão dos meus pais, fomos para a denominação Universal, aos 14 fui para a denominação Metodista, aos 19 abandonei tudo, e, depois de 5 longos anos “desigrejada”, resolvi dar uma chance para esse negócio de igreja; fui a uma denominação Batista de linha calvinista. Naquela altura do campeonato, aquilo era tudo o que tinha de menos pior, comparado a tudo o que eu tinha vivido 19 anos como protestante. Eu gostei muito de participar e servir nessa denominação, pensava que finalmente havia encontrado algo sério, transparente e bom, não tinha nenhuma pretensão de sair dali, nenhuma!

Aconteceu que houve uma comemoração dos 500 anos da “reforma” protestante, e ali começaram os meus questionamentos. Eu não via motivo algum para se comemorar a “reforma”, ninguém em sã consciência comemora um divórcio; assim eu enxergava, eu não entendia como meus irmãos festejavam e se alegravam com a ruptura da cristandade. O que há de bom e alegre nisso? O que há para se comemorar? Diversidade de fés? Diversidade de interpretações? Diversidade de entendimento? Diversidade de doutrinas? Divisões?

Além disso, os livros reformados que eu lia continha muitas citações da patrística (primeiros padres). Assim, fui fui atrás de saber o que eram esses documentos, então pensei: “vou direto à fonte”. Coisa de jornalista. rs

Aliado a isso, também comecei a assistir muito o padre Paulo Ricardo e fiz os dois cursos dele que foram decisivos para mim: “Por que eu não sou protestante” e “Lutero e o mundo moderno”, mas antes disso e já lia muitos livros católicos, acompanhava apologistas católicos e personalidades católicas influentes nas redes sociais.

Nessa fase eu já tinha conhecimento suficiente para saber que a Igreja jamais “se desviou”, como erroneamente afirmam os protestantes, que a Igreja é Católica desde o dia de pentecostes, sim, a Igreja primitiva, idealizada por eles, é a mesma Igreja que permaneceu durante 15 séculos e permanece até hoje Una, Santa, Católica e Apostólica; sabia que jamais nosso Senhor teria deixado ela todo esse tempo abandonada, para, depois de tantos anos levantar o “inspirado reformador” e “resgatar” a “fé perdida”.

Afinal não foi promessa do próprio Cristo que disse que estaria com ela até o final dos tempos? Lembro-me que tive a fase da negação, eu chegava a dizer que jamais me tornaria católica. Dizia: “Que? Eu católica? Jamais!! Eu só estudo, admiro e gosto muito, mas jamais serei católica”. 

Para minha decepção, cada vez que eu estudava a Igreja, me apaixonava cada vez mais, a vida dos Santos, a História dos Mártires, o Magistério, a Tradição, meu Deus, quanta riqueza, quanta coerência, quanta sintonia, quanto sentido, quanto agir de Deus nessa IGREJA!

Enxergava na Igreja Católica uma sabedoria de mais de 2 mil anos e me indagava: Por que alguém trocaria essa instituição colossal, com toda sua história, sabedoria e com todas as pessoas santas que passaram por ela, por uma igreja de esquina ou alguma religião sem história? No catolicismo temos um caminho trilhado e com isso me encho de entusiasmo, pois compartilho com a frase de Isaac Newton, que diz: “Se enxerguei mais longe, foi porque me apoiei sobre os ombros de gigantes”. 

Era óbvio que para sobreviver há mais de 2 mil anos, por traidores infiltrados dentro da Igreja, diante de tantas calúnias, difamações e mentiras, por todos os lados, enfrentando inimigos por dentro e por fora, essa, só poderia ser a IGREJA, que literalmente cumpre Mateus 16:18 […] e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

E assim, a verdade ia me vencendo a cada dia, eu resisti e posterguei muito para aceitá-la, afinal, a verdade exigiria muita coisa de mim, muitas renúncias e perdas, eu tinha construído uma vida sob meias verdades.

Entretanto, me conhecendo, eu sabia que se encontrasse a Verdade como ela é, iria abraçá-la com toda a minha força, por mais dolorido e decepcionante que me fosse, mesmo assim, eu jamais a negaria!

“Perdi” muitas coisas, a minha vida estava indo tranquilamente bem, aparentemente estava indo tudo “certo”, aceitar meias verdades e fragmentos da verdade, por mais confortável que fosse ainda não era a VERDADE. Eu já estava acostumada com a denominação, acreditava que nessa iria me fincar, mas diante da Verdade eu não tive outra atitude a não ser me render a ela; caso contrário, eu seria uma covarde, cúmplice de um erro e indesculpável perante Deus.

Rever preconceitos, reconhecer erros, aceitar mentiras, como se fossem verdades e falar mal sem investigar, repudiar, rejeitar, torcer o nariz para a Igreja e depois aceitá-la e amá-la, requer amor e apreço pela verdade, mas funciona assim, quando Jesus perguntou a Paulo por que o perseguia, ele se referia à sua Igreja, seu corpo Vivo na Terra. Fui como Paulo sem saber. 

A rebelião protestante dissipou a Cabeça (Cristo), de seu Corpo (Igreja), separou o Noivo de sua Noiva, nunca que isso é motivo para ser comemorado. Infelizmente, isso é o que faz nossos irmãos esperados.

Todos esses anos tinha muitos preconceitos contra a Igreja, mas como não ter? Afinal, qual é a única coisa que une os protestantes? Falar mal da Igreja Católica. Mas não podia ser diferente, o fundador e revolucionário Martinho Lutero, soberbamente acreditava ser o “enviado de Deus” para por fim nos “abusos” da Igreja, veja só, ele se achava o mais santo e melhor que todos. Mas ora, que arrogância e presunção achar que você, justo você é o certo e todos os outros antes de você estavam errados por 1500 anos, como Cristo deixaria a sua Igreja assim?

A verdade é que quando as pessoas não aceitam às regras do jogo, para facilitar o caminho, elas criam outras regras. No entanto, o caminho estreito é o verdadeiro. Que a Igreja passava por uma de suas piores crise, ninguém nega, mas achar que reinventar à roda era o mais correto e resolveria o problema, foi o maior erro, com desdobramentos terríveis até hoje. Ninguém reforma uma casa construindo outra, mas sim a mesma.

No livro todos os caminhos levam a Roma do Dr. Scott Han, ele traz alguns dados assustadores. Desde a época da “reforma”, foram surgindo mais de vinte e cinco mil diferentes confissões protestantes, e os especialistas dizem que na atualidade surgem cinco novas por semana. Cada uma delas afirma seguir o Espírito Santo e o sentido autêntico da Escritura.

É uma tragédia, mas alguém teria que cumprir Mateus 24:11 […] e surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos”.

Eu posso dizer que durante todos esses anos como protestante eu estive buscando essa verdade, mas eu só não sabia onde ela estava, afinal, a verdade é uma só, mas aonde ela estava? No protestantismo você tem fragmentos da verdade, diversas “fés”, e fica ao seu critério “escolher” aquela que mais lhe agrada, não existe união, não existe chegar a uma verdade de forma objetiva e absoluta, como na fé católica, lá vive-se é uma fé relativista, nada há consenso em uma única questão básica da fé, como, por exemplo, o batismo. 

Não existe uma verdade que seja confortável, a verdade dói, mas também cura, fere, machuca e, às vezes, tira a sua paz, vira a sua vida do avesso, mas quando você aceita da forma como ela é, não às partes que você quer ou que te convém, ela te liberta. Sto Agostinho diz que “se você não for vencido pela verdade, será vencido pelo erro”.

A verdade, meu caros, é Cristo, é uma pessoa Real, de carne e osso, que possui apenas UM Corpo, que vive a sua encarnação na história através de UMA só igreja, que professa UMA só fé e UM só batismo, que SOMENTE na Eucaristia se faz presente literalmente em CARNE; SANGUE, ALMA E DIVINDADE, só assim, e apenas assim, é que temos participação em seu Corpo Místico, e na verdadeira Igreja, sendo Ele o cabeça e nós os membros de seu Corpo.

A verdade está presente na revelação de Deus, e existe UMA só verdade, porque existiu apenas UMA só revelação; UMA só fé; UMA só Tradição; UMA só bíblia; UM só Magistério e vários elementos singulares que são perenes e atemporais da fé.

Entender isso foi um divisor de águas, somado ao fato de que Deus não poderia em HIPÓTESE alguma estar no meio de tantas contradições e divisões nas quais vivi durante anos como protestante. Para muitos pode ser chocante, pois o comum são católicos que tornaram-se protestantes, mas o bom católico e profundo conhecedor de sua fé, jamais abandona à Igreja de Cristo, jamais. Apenas católico ignorante é vira protestante.

Para muitos foi decepcionante, mas para mim, decepcionante mesmo é ter ficado tanto tempo longe de Casa, da minha família completa, hoje eu tenho um verdadeiro Lar, com um Pai; uma Mãe; Jesus – o primeiro entre muitos irmãos Vivos; tenho alimento (Eucaristia), toda a Igreja Triunfante, intercedendo junto ao Filho, por nós, a Igreja Militante. Agora tudo faz sentido, a lacuna não existe mais, tudo se completa, agora eu entendo e vivo a fé cristã em sua plenitude.

Por fim, eu só posso dizer que Deus em Sua infinita misericórdia trouxe-me novamente à Sua Igreja, isso não foi tudo, ainda preparou-me uma festa e um banquete, colocou-me um anel no dedo e disse: ”…Porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado” (Lucas 15:24).

Termino com as palavras de Sto Agostinho que diz: “Deve ser seguida por nós aquela religião cristã, a comunhão daquela Igreja que é a CATÓLICA, e CATÓLICA, é chamada não só pelos seus, mas também por todos os seus inimigos”.

 

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