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Introdução à Parte 1


Adventistas do Sétimo Dia produzem argumentos bem convincentes para guardar o costume Judeu da observância do Sábado. Um deles teria base numa interpretação de Apocalipse 1:10. Dentre outras alegações, afirmam que a Igreja Católica em 360 d.C. usurpou o claro mandamento de Deus e que o Papa é o culpado. É este o plano da diabólica prostituta da Babilônia para fazer com que todas as pessoas no mundo caiam no erro. Mark Finley, um ex-católico, da Televisão Internacional “It is Written”,e seu porta-voz associado, Shawn Boonstra, ambos Adventistas do Sétimo Dia, apresentaram um argumento bíblico para confirmar o Sábado como o Dia do Senhor em todos os tempos. As suas referências são sólidas, e o argumento é persuasivo. Sobra a única questão remanescente: É VERDADE?

Em outras palavras, o Novo Testamento verdadeiramente equipara estas duas ideias relacionadas e as põe como sinônimos: SÁBADO e O DIA DO SENHOR?

O Novo Testamento usa o termo SÁBADO e até mostra o Senhor Jesus e seus discípulos o observando, como nota Mark Finley, “como era de Seu costume”, por exemplo:

Lucas 4:16 (Bíblia de Jerusalém): “Ele foi a Nazaré, onde fora criado, e, segundo seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura.”

Lucas 4:31 (BJ): “Desceu então a Cafarnaum, cidade da Galileia, e ensinava-os aos sábados.”

Lucas 6:5 (BJ): “E dizia-lhes: “O Filho do Homem é senhor do sábado!”

Lucas 23:56 (BJ): “Em seguida, voltaram e prepararam aromas e perfumes. E, no sábado, observaram o repouso prescrito.”

O Novo Testamento também se refere, na tradução para o português, para O DIA DO SENHOR, mas em dois sentidos distintos. É importante entendê-los, uma vez que eles têm apenas uma única tradução para o português, mas duas expressões diferentes no Grego original. As duas expressões no Grego original são kuriou hemera e kuriake hemera.

KURIOU HEMERA

O primeiro sentido no Grego original é uma tradução literal diretamente extraída das palavras Hebraicas YOM YHWH – o fim de todas as coisas e o começo de uma nova criação e do REINO DE DEUS: o DIA DO SENHOR no Grego original do Novo Testamento é traduzido como Kuriou hemera – O DIA DO SENHOR, mais precisamente falando. Esta expressão Grega, Kuriou hemera, é usada somente nas seguintes seis passagens no Novo Testamento. Esta lista fornecida é completa – não há outros usos da construção O DIA DO SENHOR no Grego em nenhum outro lugar do Novo Testamento:

Atos 2:20 (Grego) – O Sol se mudará em escuridão e a lua em sangue, antes que venha o Dia do Senhor, o grande Dia.

1 Coríntios 5:5 (Grego) – …entreguemos tal homem a Satanás para a perda da sua carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor.

2 Coríntios 1:14 (Grego) – …assim como nos compreendestes em parte – que somos para vós um motivo de glória, como sereis o nosso, no Dia do Senhor Jesus.

1 Tessalonicenses 5:2 (Grego) – …porque vós sabeis, perfeitamente, que o Dia do Senhor virá como ladrão noturno.

2 Tessalonicenses 2:2 (Grego) – ..que não percais tão depressa a serenidade de espírito, e não vos perturbeis nem por palavra profética, nem por carta que se diga vir de nós, como se o Dia do Senhor já estivesse próximo.

2 Pedro 3:10 (Grego) – O Dia do Senhor chegará como ladrão e então os céus se desfarão com estrondo, os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão e a terra, juntamente com as suas obras, será consumida.

Você pode prontamente perceber que YOM YHWH, Kuriou hemera, e O DIA DO SENHOR são termos que apontam para aquele dia no fim dos tempos quando Jesus retornará para julgar os vivos e os mortos. É o dia no qual ele regressará em sua Glória, sua parousia (outra palavra Grega aqui!).

KURIAKE HEMERA

A segunda expressão do Grego original que é grafada pelos tradutores em português como O DIA DO SENHOR é um conjunto de palavras encontradas juntas em apenas uma única ocasião em todo o Novo Testamento – e em nenhum lugar do Velho Testamento (Septuaginta):

Apocalipse 1:10 (BJ): “No dia do Senhor fui movido pelo Espírito, e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, ordenando:”

Precisamente este termo, O DIA DO SENHOR, nossos colegas Adventistas argumentam que ele deveria ser traduzido pela palavra SÁBADO. O problema com este argumento é a etimologia. Neste caso, a etimologia É importante. A forma adjetiva da forma Grega para Senhor Kuriak-os, -e, on – é uma construção interessante utilizada em um único local na Bíblia inteira:

1 Coríntios 11:20 (Grego) – “Quando, pois, vos reunis, o que fazeis não é comer a Ceia do Senhor [Kuriakon Deipnon]”

KURIAKON DISTINGUE ESTA CEIA DE TODAS AS OUTRAS CEIAS COMUNS

O uso do termo Ceia do Senhor na Bíblia é único de São Paulo – e mesmo ele o utiliza somente nesta situação.

São Paulo parece cunhar uma nova expressão aqui – Kuriakon Deipnon. O que a Bíblia nos informa sobre isto? A Bíblia nos mostra que os Apóstolos com frequência usavam termos que eram totalmente novos somente para o leitor desavisado, mas em contrapartida já eram bem conhecidos e bem compreendidos para o público alvo. São Paulo não escreve explicitamente o que ele quer dizer com Kuriakon Deipnon porque ele sabe que todos naquela comunidade – a Igreja de Corinto – já sabiam do que se tratava.

A audiência de São Paulo em Corinto também compartilha com ele uma ampla gama, um verdadeiro reduto, de associações mentais subjetivas e internas no que diz respeito a Kuriakon Deipnon. É por isso que, em 1 Coríntios 11:20, eles sabem que o Apóstolo não os está elogiando! Pelo contexto, é nítido que os Coríntios não são dignos de aplausos pela maneira com que participam de Kuriakon Deipnon.

É claro, também, que São Paulo não está sendo sarcástico sobre o modo como os Coríntios se comportam em ceias que NÃO são Kuriakon Deipnon. Na verdade, o que ele parece dizer é que a Kuriakon Deipnon não deve ser encarada como uma ceia comum, ordinária. Exatamente nisto se repousa a crítica de São Paulo. O Coríntios estão tratando a Kuriakon Deipnon como qualquer outra ceia banal.

Disto, podemos deduzir que a Kuriakon Deipnon tem a finalidade de ser especial, reservada, diferente – se depreende fortemente do contexto, sacra, sagrada, sacramental. São Paulo usa a palavra Kuriakon para distinguir esta ceia de todas as outras ceias. Algo peculiar e único na Kuriakon Deipnon acontece toda vez que é celebrada.

KURIAKON DISTINGUE ESTA CEIA DAS CEIAS JUDAICAS SABÁTICAS

Devemos avançar ainda mais. Todos (incluindo os Judeus) sabiam que na noite em que ia ser entregue, Jesus celebrou uma ceia com Seus Apóstolos. É a recordação desta ceia que Paulo se refere como sendo A Ceia do Senhor. Poucos versos depois, lemos:

1 Coríntios 11:23-26 (BJ) – Com efeito, eu mesmo recebi do Senhor o que vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é meu corpo, que é para vós] fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim”. Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha.

O contexto da ceia compartilhada por Jesus com Seus Apóstolos era a Páscoa Judaica. Sem entrar em todos os detalhes, os Judeus celebravam a Páscoa por oito dias. Entre Judeus ortodoxos, percebemos que toda ceia pode ser uma ocasião sagrada, mas isto é ainda mais verdadeiro nos encontros da ceia na noite de sexta-feira – o começo do Sábado. Então nas noites de sexta, assim como em todos os oito dias da Páscoa, uma ceia Judaica é um momento muito especial, e poder-se-ia enunciar, novamente, sagrado.

Antes de adentrar um seder (ceia) Sabático os Judeus se purificam despejando água fresca sobre as mãos. É um gesto físico simples – expressões mentais e verbais de arrependimento e contrição não são partes explícitas deste ritual de purificação. São Paulo, entretanto, adverte os Coríntios para que se purifiquem espiritualmente para remover toda mancha de pecado de suas almas antes de participar da Ceia do Senhor. É precisamente esta falta de penitência e contrição da parte dos Coríntios que deflagra a ira de Paulo:

1 Coríntios 11:27-29 (BJ) – Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação.

Portanto, São Paulo está também usando a palavra Kuriakon para distinguir esta ceia na qual os Cristãos comparecem das ceias sagradas dos Judeus. Se assim não fosse, ele a teria denominado como seder (ou talvez, ‘aruchah [e.g. Provérbios 15:17] ou mishteh [e.g., Ester 5:5]). Em outras palavras, São Paulo está mostrando que a Kuriakon Deipnon é sacra, sagrada e sacramental de uma maneira diferente do seder Sabático, e enfaticamente mais do que uma ceia comum e ordinária.

NENHUMA PALAVRA EM PORTUGUÊS TRADUZ KURIAKOS ADEQUADAMENTE

                O comentarista do texto Grego [página 687] numa nota de rodapé declara corretamente que não há, realmente, nenhuma palavra equivalente que traduza corretamente a palavra Grega kuriakos.

                Primeiramente, a palavra é um adjetivo, e não um caso genitivo[1] da palavra Senhorkuriou, o Senhor propriamente dito, do nominativo kurios, Senhor. Por esta razão, kuriakos não pode ser traduzido simplesmente como “do Senhor” sem outas qualificações. Nos poemas épicos de Homero (Ilíada e Odisseia), e em fontes seculares contemporâneas da vida de Cristo e Seus Apóstolos, a palavra kuriakos é melhor traduzida em português como o adjetivo imperial ou, talvez, real. Por exemplo, a terminologia frequentemente usada como correspondente secular oficial do Império Romano é kuriake dogma – decreto imperial.

                Em segundo lugar, é evidente a partir do contexto que tanto São João quanto São Paulo se valem do termo kuriakos de uma maneira que é muito distinta do uso secular da expressão. Seu entendimento (associação interna, subjetiva, mental) da palavra é melhor inferida de outras fontes bíblicas existentes – e dos relatos das testemunhas contemporâneas que sofreram mortes cruéis como mártires de Jesus Cristo por causa dessas associações mentais internas e subjetivas.

                Finalmente, o termo kuriakos usado por São João e São Paulo significa pertencimento, peculiarmente reservado a, especificamente associado com, ou propriamente e exclusivamente pertencente aO SENHOR JESUS. Confira – cheque a definição de qualquer adjetivo na língua portuguesa com a ajuda de um dicionário. Esta é a terminologia padrão empregada para definir um adjetivo derivado de um substantivo! Kuriakos pode ser traduzido como “do Senhor”, mas somente se entendermos “do Senhor” neste sentido especial e reservado.

                Aliás, nossos irmãos Ortodoxos chamam as próprias igrejas de Ekklesiai Kuriakai. A construção na qual eles adoram é chamada uma Oikia Kuriake. Desta terminologia advém as palavras Kirk em Escocês, Kirche em Alemão, e Church em Inglês. Os Ortodoxos, especialmente os Gregos, se posicionam muito próximos da linguagem Grega do Novo Testamento. Para eles, o termo em discussão registrado por São João, Hemera Kuriake, significa o Dia da Igreja. Pergunte a qualquer um deles. E descobrirá também que se trata do mesmo dia que por nós é chamado de Domingo.

O QUE HÁ NUMA PALAVRA?

                Todas as informações acima ajudam grandemente nosso entendimento. Falta ainda responder qual dia São João tinha em mente – e é o dia que incondicionalmente pertence e compete ao Senhor Jesus, especificamente, peculiarmente e exclusivamente. Esta questão será abordada em breve. Por ora, é suficiente dizer que São João claramente e definitivamente não identifica O DIA DO SENHOR como o Sábado.

                Se São João em Apocalipse 1:10 se referisse ao “Sábado”, ele teria certamente usado aquela palavra exata – afinal de contas, ele a usa muitas vezes em seu próprio Evangelho, não é mesmo? Onze vezes, para ser mais exato (5:9, 5:10, 5:16, 5:18, 7:22, duas vezes em 7:23, 9:14, 9:16, e duas vezes em 19:31). Além disso, a palavra “Sábado” é empregada muitas outras vezes em outras passagens no Novo Testamento – como os adventistas da Televisão Internacional It is Written salientaram em seus discursos.

                São João não está falando do sábado. Ele introduz o termo Kuriake Hemera pela primeira vez em Apocalipse 1:10 – uma terminologia nunca antes aplicada em nenhum outro lugar na Bíblia, mas obviamente uma sentença já totalmente familiar do seu público alvo. Ele claramente quer diferenciar o Dia do Senhor do Sábado Judaico – assim como São Paulo quer distinguir A Ceia do Senhor do Seder Judaico.

                João lança mão do termo kuriakos pela mesma razão que o faz São Paulo. Afinal de contas, a Bíblia é sua própria e principal intérprete, não é? A Kuriake Hemera é sacra, sagrada e sacramental numa maneira que a separa do sábado – e enfaticamente mais ainda de um dia comum e ordinário. São João está inequivocamente pontuando que o Dia do Senhor definitivamente NÃO é o sábado – nem pode ser tratado da mesma forma que um.

                Então, no lugar de ser uma fonte Bíblica sustentando a observância do sábado, Apocalipse 1:10 é, na conclusão final, o oposto. Interessante.

KURIOU HEMERA e KURIAKE HEMERA. Dois termos diferentes para O Dia do Senhor, duas ideias diferentes, dois diferentes significados – e nenhum deles está associado ou equiparado à palavra sábado. Parece que é melhor voltarmos às velhas pranchetas neste momento, pessoal.

Hebreus 13:9 (BJ) – Não vos deixeis enganar por doutrinas ecléticas e estranhas. Porque é bom que o coração seja fortificado pela GRAÇA e não por alimentos, os quais nunca foram de proveito para aqueles que disso fazem uma questão de observância.

1 Coríntios 14:20 (BJ) – Irmãos, quando ao modo de julgardes, não sejais como crianças; quanto à malícia, sim, sede crianças, mas quanto ao modo de julgar, sede ADULTOS.

“Pois o coração não pode se alegar com o que a mente rejeita como falso” – C. S. Lewis

Introdução à Parte 2

Na primeira parte, provamos que a posição Adventista sobre a observância Cristã do Sábado não tem fundamento. A palavra sábado não é claramente igualada no Novo Testamento ao termo O Dia do Senhor em nenhum caso. Por exemplo, o termo sábado é usado no Evangelho de São João onze vezes. Se, em Apocalipse 1:10, São João quisesse especificar o sábado – como os Adventistas alegam que ele fez – ele poderia facilmente tê-lo feito. Era uma expressão com a qual ele estava evidentemente muito familiarizado.

Em vez disso, São João cunha um novo termo que não é usado em nenhum outro lugar em toda a Bíblia, um termo que em português se grafa O Dia do Senhor. Você lerá abaixo que um mártir, discípulo de São João, Santo Inácio de Antioquia, soletra explicitamente a qual dia o Apóstolo se referiu exatamente. Por ora, cabe pontuar que mostramos que São João definitivamente designou outro dia da semana EXCETO o sábado.

Na primeira parte, demo-nos por satisfeitos ao demonstrarmos sensatamente que a defesa Adventista para a observância Cristã do Sábado não encontra testemunho na Escritura. Nós não tentamos provar nossa própria posição. Isto porque homens sensatos não tem qualquer necessidade de provar a própria opinião – de fato, homens racionais sequer têm a necessidade de defender uma posição. Eles apenas precisam mostrar que a posição adversária é, em si, injustificada.

Isto foi feito. Sábado e O Dia do Senhor não significam a mesma coisa, como explicitado na Parte 1.

A Parte 2 deste artigo, agora sim, toma uma posição. O objetivo seria consignar uma outra interpretação diferente daquela dos Adventistas do Sétimo Dia. Eles alegam que, em algum momento indeterminado APÓS a Era Apostólica, a Igreja Católica “mudou” o dia de guarda do Sábado para o Domingo. Eles sugerem fortemente que o Papa tenha sido o culpado.

Nós mostramos que é claro pelos contextos que tanto São João (Apocalipse 1:10) quando São Paulo (1 Coríntios 11:20) estão usando o termo grego kuriakos num sentido muito distinto do uso secular contemporâneo do termo. Expusemos que o uso Apostólico do termo kuriakos quer discriminar as novas tradições e práticas Cristãs inauguradas pelos Apóstolos das tradições e práticas Judaicas. Sua compreensão (associações mentais subjetivas e internas) do termo é melhor deduzida de outras fontes bíblicas presentes, e dos escritos dos mártires contemporâneos que morreram cruelmente em nome de Cristo por consideração a estas mesmas associações mentais subjetivas e internas.

A EVIDÊNCIA DA ESCRITURA

Trataremos, em primeiro lugar, da evidência na Escritura.

Atos 20:7 (BJ) – No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para a fração do pão, Paulo entretinha-se com eles. Estando para partir no dia seguinte, prolongou suas palavras até a meia-noite.

1 Coríntios 16:2 (BJ) – No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de lado o que conseguir poupar; deste modo, não se esperará a minha chegada para se fazerem as coletas.

Colossenses 2:16-17 (BJ) – Portanto, ninguém vos julgue por questões de comida e de bebida, ou a respeito de festas anuais ou de lua nova ou de sábados, que são apenas sombra de coisas que haviam de vir, mas a realidade é o corpo de Cristo.

São Lucas e São Paulo estão certos de que seus leitores estão íntimos do novo costume. Tão familiarizados, na verdade, que em nenhum deles urge a necessidade de explicá-lo explicitamente. A nova tradição é: no PRIMEIRO dia de CADA semana, os fiéis estão ORDENADOS a se reunir numa comum assembleia solene. São Paulo está usando a voz imperativa no texto de 1 Coríntios supracitado.

Adventistas do Sétimo Dia não obedecem o comando de Paulo. Eles não se reúnem em assembleia solene, ou por nenhuma outra razão, no primeiro dia de cada semana.

Sobre esta nova tradição, São Paulo diz aos Colossenses explicitamente (como acima) que as observâncias sabáticas eram festivais dos Judeus que eram vagas profecias simbólicas sobre a nova tradição – que é em si mesma a cláusula real e completa. As reuniões Cristãs no primeiro dia da semana (Domingo) têm substância – os sábados eram meras sombras inexpressivas, comparativamente.

Adventistas do Sétimo Dia insistem que Paulo não está abolindo a observância sabática do sétimo dia – apenas a convertendo numa observância de alguma forma Cristã. No entanto, se isto fosse verdade, São Paulo teria o mesmo posicionamento sobre todas as outras coisas na epístola aos Colossenses, ou seja, comidas, bebidas, luas novas, festivais, etc. Por que nossos irmãos Adventistas NÃO “consagram” a guarda do Kosher, a nomeação Semítica dos meses e dos dias da semana, a contagem Judaica dos meses (sem mencionar os dias e anos), e a celebração de todos os festivais do Antigo Testamento – como a interpretação deles sobre São Paulo exige que o façam? É porque os Adventistas do Sétimo Dia são inconsistentes. Eles também estão desesperados. Estão desesperados porque estão encurralados contra uma parede. Interpretar a cláusula contendo “sábados” de maneira consistente exigiria que abandonassem o ensinamento mais particular de sua religião.

Nós Católicos não somos obrigados a interpretar São Paulo de maneira inconsistente, ainda que nossos irmãos Adventistas o façam. Assim, São Lucas e São Paulo encaram a observância do Sábado do mesmo modo que a observância do rito da circuncisão, um rito e símbolo abolido pelos Apóstolos:

Gálatas 5:1-6 (BJ): É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão. Atenção! Eu, Paulo, vos digo: se vos fizerdes circuncidar, Cristo de nada vos servirá. Declaro de novo a todo homem que se faz circuncidar: ele está obrigado a observar toda a Lei. Rompestes com Cristo, vós que buscais a justiça na Lei; caístes fora da graça. Nós, com efeito, aguardamos, no Espírito, a esperança da justiça que vem da fé. Pois, em Cristo Jesus, nem a circuncisão tem valor, nem a incircuncisão, mas a fé agindo pela caridade.

São Paulo, São João e São Lucas e, concordando com eles, os Pais Apostólicos comparam a observância do Sábado à observância do rito da circuncisão. Os Pais da Igreja demonstram que se os Apóstolos aboliram a circuncisão (Gálatas 5:1-6 acima), também a observância do Sábado deve ser abolida. Este ponto será discutido em profundidade nos relatos de Santo Irineu de Lyon, abaixo. As citações seguintes provam que os Cristãos primitivos entenderam este princípio e reuniram-se para culto no Domingo.

O DIDAQUÊ

O Didaquê é um documento originário da igreja Romana, antes do martírio de São Pedro e São Paulo em 65 d.C. sob o jugo do imperador Nero, ou, no mais tardar, pouco tempo depois.

“Reúna-se no dia do Senhor [aqui se encontram as duas palavras usadas por São João – kuriake hemera] para partir o pão e agradecer [Eucharistia (ação de graças)] após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro. Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado.” (Didaquê, Capítulo 14, [70 d.C.])

A CARTA DE BARNABÉ

Guardamos o oitavo dia [Domingo] com alegria, o dia no qual Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. (Carta de Barnabé 15:6-8 [74 d.C.]).

Isso responde a acusação Adventista sobre a Igreja Católica ter “mudado” o dia de guarda do Sábado para o Domingo. Barnabé era um dos Apóstolos, e companheiro de São Paulo. Mais tarde, São Marcos, o Evangelista, o acompanhou em suas jornadas missionárias. O texto desta carta sustenta uma interpretação dos textos da Evidência Bíblica (acima). Essa interpretação é: desde os dias mais primitivos da Igreja, o Domingo era o dia no qual os Cristãos se reuniam em assembleia solene para a Liturgia do Senhor (cf. Atos 13:1-4). A guarda do Domingo gozava da própria permissão Apostólica.

INÁCIO DE ANTIOQUIA

Santo Inácio foi o segundo Bispo de Antioquia depois de São Pedro, e também discípulo dele. Santo Inácio e São Policarpo também estudaram juntos com São João. O mártir atesta que ele foi ordenado por estes Apóstolos mediante imposição das mãos. São Pedro o nomeou Bispo de Antioquia para que sucedesse Santo Evódio, o primeiro Bispo de Antioquia após São Pedro.

“Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor [aqui, novamente, as duas palavras usadas por São João – kuriake hemera], em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte.” (Carta aos Magnésios, 9 [105 d. C.])

“É absurdo falar de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, judaizar. Não foi o cristianismo que acreditou no judaísmo, e sim o judaísmo no cristianismo, pois nele se reuniu toda língua que acredita em Deus.” (Carta aos Magnésios 10 [105 d.C.]).

Inácio de Antioquia é uma testemunha que os Cristãos doutrinados por São João e São Pedro estavam acostumados a se referir ao Domingo como o Dia do Senhor – obviamente ensinados a fazerem assim pelos próprios Apóstolos:

“Ao amanhecer do dia do Senhor ele ressuscitou dos mortos, segundo o que foi falado por ele mesmo: “Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também estará o Filho do homem três dias e três noites no coração da terra. ” O dia da preparação, então, compreende a Paixão; o sábado abrange o sepultamento; o Dia do Senhor contém a ressurreição. “⁠ – (Roberts, Carta aos Tralianos (versão longa), Capítulo 9, [106 d.C.])

Então esta é a chave que destrincha precisamente o que São João quer dizer com o novo termo que cunhara em Apocalipse 1:10, Kuriake hemera – o termo significa Domingo. Isto, de acordo com o seu próprio discípulo!

Para os discípulos de Santo Inácio, São João e São Paulo, o Domingo é um dia de festa e júbilo, tanto que:

Se alguém jejua no Dia do Senhor, ele é um assassino de Cristo (Roberts, Carta aos Filipenses 13 [106 d.C.])

Se alguém celebra a Páscoa com os Judeus, ou recebe os emblemas desta festa, ou celebra o sábado, ele é um participante com aqueles que mataram o Senhor Jesus e Seus Apóstolos (Roberts, Carta aos Filipeneses 14 [106 d.C.])

O costume dos próprios discípulos dos Apóstolos é muito claro, e os escritos destes discípulos nos dão uma testemunha irrefutável do que foi pregado pelos Apóstolos. O Domingo suplanta e substitui o Sábado como o dia Cristão de guarda – mas isso significa que os termos “sábado” e “dia de guarda” são sinônimos? Continue lendo para entender o que quero dizer.

IRINEU DE LYON

Santo Irineu foi o discípulo de São Policarpo de Esmirna. Como mencionado previamente em sua discussão de Santo Inácio de Antioquia, São Policarpo foi um discípulo de São João Apóstolo. Santo Irineu está, portanto, na primeira geração após os Apóstolos.

                “A prova de que o homem não era justificado por causa destas práticas, mas que elas foram dadas ao povo como sinal, se encontra em Abraão, o qual, sem circuncisão e sem observância do sábado, “acreditou em Deus e lhe foi imputado a justiça e foi chamado amigo de Deus”. Também Lot, mesmo sem circuncisão, foi tirado de Sodoma e salvo por Deus. Assim Noé, de quem Deus gostava, ainda que sendo incircunciso, recebeu as medidas do mundo do novo nascimento. E Enoch agradou a Deus mesmo sem circuncisão e, sendo homem, foi embaixador junto aos anjos, foi levado, e permanece até hoje, testemunha do justo juízo de Deus, pelo fato de que os anjos transgressores caíram no juízo e o homem que agradara a Deus foi levado à salvação. E toda a multidão dos que antes de Abraão foram justos e dos patriarcas anteriores a Moisés que foram justificados sem as práticas supraditas [circuncisão e sábados] e sem a Lei de Moisés, como no Deuteronômio diz Moisés ao povo: “O Senhor teu Deus estabeleceu a aliança no Horeb; o Senhor não estabeleceu a aliança com vossos pais, mas convosco”. (Contra as Heresias 16 [135 d.C.]).

                Santo Irineu refuta outra alegação que diz respeito à observância do sábado feita pelos Adventistas. Eles alegam que a observância do sábado é ordenada por Deus desde o começo do Gênesis, e portanto se aplica universalmente a toda a raça humana em todos os tempos:

                Gênesis 2:1-3 (BJ) – Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação.

                Mas não há NENHUM mandamento dado à humanidade nestes versos. Tente achar QUALQUER uso da voz imperativa aqui. Não encontrará, nem mesmo implicitamente. Estes versos simplesmente anunciam um fato. Deus poderia ter proferido uma ordem aqui, como ele inequivocadamente faz nos versos anteriores, onde diz à humanidade:

                Gênesis 1:28 (BJ) – Deus os abençoou e lhes disse: “ Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra.

                Mas ele não o faz. Portanto, este verso usado pelos Adventistas para provar que Deus comandou universalmente a humanidade a guardar o Sábado não diz nada disso. NA VERDADE o único mandamento que Deus deu à humanidade como um teste de amor e fidelidade no livro do Gênesis não tem nada a ver com o sábado.

                Gênesis 2:16 (BJ) – E Iahweh Deus deu ao homem este mandamento: “Podes comer de todas as árvores do jardim.”

                Agora sim, ISTO é um mandamento. Posteriormente no Gênesis, aprendemos que Deus irá recriar a raça humana, escolhendo Noé, sua esposa, seus filhos e as esposas dele para esta missão. Depois de destruir a humanidade no dilúvio, Deus faz uma aliança com Noé e a nova raça humana que deriva dele:

                Gênesis 9:1, 4-7, 11-13 (BJ): – Deus abençoou Noé e seus filhos, e lhes disse:”Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra”… Mas não comereis a carne com sua alma, isto é, o sangue. Pedirei contas porém, do sangue de cada um de vós. ´Pedirei contas a todos os animais e ao homem, aos homens entre si, eu pedirei contas da alma do homem. Quem derrama o sangue do homem pelo homem terá seu sangue derramado. Pois à imagem de Deus o homem foi feito. Quanto a vós, sede fecundos, multiplicai-vos, povoai a terra e dominai-a…Estabeleço minha aliança convosco: tudo o que existe não será mais destruído pelas águas do dilúvio; não haverá mais dilúvio para devastar a terra. Disse Deus: “Eis o sinal da aliança que instituo entre mim e vós e todos os seres vivos que estão convosco, para todas as gerações futuras: porei meu arco na nuvem e ele se tornará um sinal da aliança entre mim e a terra.”

                Mais uma vez, Deus tem a oportunidade de ordenar a observância universal do Sábado para Noé e seus descendentes, mas Ele não o faz.

                Um dos filhos de Noé é Shem, de quem os Semitas derivam, incluindo Abraão. Quando Deus faz uma aliança com Abraão, ele ordena a ele o mandamento de circuncidar todos os homens aos seus descendentes:

                Gênesis 17:9-14 (BJ) – Deus disse a Abraão: “Quanto a ti, observarás a minha aliança, tu e tua raça depois de ti, de geração em geração. E eis a minha aliança, que será observada entre mim e vós, isto é, tua raça depois de ti: todos os vossos machos sejam circuncidados. Fareis circuncidar a carne de vosso prepúcio, e este será o sinal da aliança entre mim e vós. Quando completarem oito dias, todos os vossos machos serão circuncidados, de geração em geração. Tanto o nascido em casa quanto o comprado por dinheiro a algum estrangeiro que não é de tua raça, deverá ser circuncidado o nascido em casa e o que for comprado por dinheiro. Minha aliança estará marcada na vossa carne como uma aliança perpétua. O incircunciso, o macho cuja carne do prepúcio não tiver sido cortada, esta vida será eliminada de sua parentela: ele violou minha aliança.”

                Novamente, Deus poderia ter ordenado a observância do sábado para Abraão e todos os seus descendentes, mas ele não o faz.

A primeira menção da palavra SÁBADO na Bíblia num mandamento sobre sua observância não acontece, na verdade, até:

Êxodo 16:23 (BJ) – [Moisés] Ele lhes disse: “Eis o que disse Iahweh: Amanhã é repouso completo, um santo sábado para Iahweh. Cozei o que quiserdes cozer, e fervei o que quiserdes ferver, e o que sobrar, guardai-o de reserva para a manhã seguinte.”

A cena desta jornada ao Monte Horeb, ostensivamente muitos milhares de anos após a Queda, milhares de anos após Noé, aproximadamente cinco séculos desde Abraão. Esta é a primeira vez que Deus dá qualquer mandamento sobre a observância do sábado. É dado aos Israelitas – antes mesmo da entrega do Decálogo, antes da Aliança do Sinai – e NÃO aos Gentios.

Assim como Adão, Noé e Abraão, Deus também inicia uma aliança com os israelitas, desta vez por meio do intermédio de Moisés no Monte Horeb, ou Sinai. Ao entregar o Decálogo a Moisés, Deus literalmente marca na pedra uma ordem que permanentemente exige a obediência dos Israelitas e de seus descendentes:

Êxodo 20:8-11 (BJ) – Lembra-te do dia do sábado para santifica-lo. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. O sétimo dia, porém é o sábado de Iahweh teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu animal, nem o estrangeiro que está em tuas portas. Porque em seus dias Iahweh fez o céu, a leira, o mar e tudo o que eles contêm, mas repousou no sétimo dia; por isso Iahweh abençoou o dia do sábado e o santificou.

Sincronia é tudo. A observância dos Sábados como um dia de repouso se direciona aos Israelitas – e é um mandamento que não recai sobre Adão, Noé e nem mesmo Abraão. Mesmo os descendentes de Abraão antes da Aliança no Sinai não estavam submetidos a ele, como Santo Irineu astutamente observa:

Deuteronônimo 5:2-3 (BJ) – Iahweh nosso Deus concluiu conosco uma Aliança no Horeb. Iahweh não concluiu esta Aliança com nossos pais, mas conosco, conosco que estamos hoje aqui, todos vivos.

A cronometragem nas alianças é de suma importância na compreensão de PORQUE a posição Adventista do Sétimo dia é logicamente e racionalmente errada e incoerente. Mais futuramente ao longo desta dissertação, São João Crisóstomo faz um bom trabalho para explicar porque os mandamentos da Aliança do Sinai sobre honrar os pais, assassinar, roubar, mentir e cobiçar estão implícitos na natureza humana – o homem é feito à imagem e semelhança de Deus. Por isso deixo esta discussão para o tópico no qual examinaremos os escritos de São João Crisóstomo. O ponto principal é que Deus não dá nenhum mandamento em aliança sobre observância sabática antes da aliança do Sinai – e, portanto, a observância do sábado não obriga os predecessores dos Israelitas, e tampouco os seus descendentes. A Nova Aliança no Sangue de Cristo é um assunto à parte. Os seguidores de Jesus Cristo ao adentrarem a Nova Aliança também tinham obrigações, como todas as outras alianças anteriores que Deus tinha feito com a humanidade, também. A única questão é: Jesus Cristo mandou seus seguidores continuar a observância Judaica do Sábado?

Explicitamente, Jesus nunca em nenhum lugar do Novo Testamento é citado como orientando seus seguidores a observar o sábado. Isto imediatamente fulmina o argumento Adventista. Os Adventistas do Sétimo Dia são “sola scripturistas”. Como outros Protestantes, eles assumem que se uma doutrina não está expressa explicitamente na Bíblia, então se trata de uma doutrina de homens. Doutrinas de homens, claro, não obrigam a fé do crente. Já que nem Jesus e nenhum de seus Apóstolos ordenou explicitamente a continuação da observância do sábado, nenhum crente deve ser obrigado a observar o sábado. Assim raciocina o sola scriptura.

Católicos, claro, não se preocupam com o Sola Scriptura no desenvolvimento da doutrina – o Sola Scriptura não é encontrado em nenhum lugar da Bíblia, aliás! Em vez disso, prestamos atenção ao que a Igreja sempre ensinou, mesmo antes de que houvesse um Novo Testamento. O próprio Novo Testamento é ele mesmo um desenvolvimento que nasceu desse ensinamento. Há ampla evidência no Novo Testamento para assinalar a conclusão deduzida pelos Padres. Colocado de forma simples, se a circuncisão está abolida, também está a observância sabática. E o argumento NÃO é complicado. Na verdade, é bem direto. E vem de algo que Jesus disse e ensinou, para corroborar!

Primeiramente, os Padres observaram que os termos de uma Aliança mais tardia não podem ser usados para certificar os seus ancestrais, nem os seus descendentes que não participem desta aliança tardia. Por exemplo, cita-se a circuncisão aplicada a Abraão e seus descendentes (incluindo Ismael e os descendentes dele). Mas a falha da circuncisão não poderia obrigar Noé e seus descendentes, exceto aqueles descendentes de Noé que também fossem descendentes de Abraão. A ingesta de sangue não poderia sujeitar os descendentes de Adão, exceto aqueles que também eram descendentes de Noé. Assim, a observância sabática não poderia obrigar ninguém exceto os Israelitas e seus descendentes[2].

Em segundo lugar, uma aliança tardia não abolia as prescrições de uma aliança anterior. Deus disse que nunca destruiria novamente o mundo por meio de um dilúvio, e Ele mantém tal posicionamento da Aliança com Noé até os dias de hoje, até mesmo o fim do mundo. Da mesma maneira, o profundo respeito pela imagem da natureza divina inscrita na carne humana e a dignidade preeminente e inerente ao casamento, o sacramento primordial, é obrigatório a TODOS os descendentes de Adão – isso significa, TODO MUNDO, sem exceção – novamente, derivando do mistério da imagem divina inscrito aqui. Israelitas deveriam obedecer a preparação da circuncisão imposta a Abraão e seus descendentes. Isso conduziu a uma manutenção interessante da tradição oral acercada Lei de Moisés: para cumprir a Aliança Abraâmica, a Aliança do Sinai poderia ser quebrada. Para circuncidar um bebê no oitavo dia após seu nascimento, a observância sabática poderia ser dispensada – isto é, quebrada:

João 7:22 (BJ) – Moisés vos deu a circuncisão – não que ela venha de Moisés, mas dos patriarcas – e vós a praticais em dia de sábado.  

Gênesis 17:12 (BJ) – Quando completarem oito dias, todos os vossos machos serão circuncidados, de geração em geração. Tanto o nascido em casa quanto o comprado por dinheiro a algum estrangeiro que não é de tua raça…

Logo, a importância da circuncisão ritual precedeu, em tempo e na Lei, o terceiro mandamento dado por Deus a Moisés no Monte Sinai, o qual exigia a observância do sábado. Jesus está dizendo que o terceiro mandamento, assim como a circuncisão, não surge de uma exigência da lei natural, advinda da natureza humana – feita à imagem e semelhança de Deus. Por esta razão (a lei natural), a tradição oral dos Judeus os permitia matar a sede e a fome do seu gado no sábado, resgatar um animal em apuros no sábado ou, no caso de Jesus, curar os doentes no sábado. Ela ainda permitia que os sacerdotes Judaicos fizessem qualquer serviço relacionado ao Templo, incluindo o rito da circuncisão, no sábado.

Por que a precedência da circuncisão sobre a Aliança do Sinai, a qual requeria a observância estrita do sábado pelo Judeus é tão importante para a nossa discussão? Porque os Apóstolos, como relatado na própria Bíblia, aboliram a circuncisão da Aliança Abraâmica e a maioria das provisões que governavam as observâncias Judaicas da Aliança do Sinai:

Atos 15:28-29 (BJ) – [Decreto do Concílio de Jerusalém] De fato, pareceu bem ao Espírito Santo e anos não vos impor nenhum outro peso além destas coisas necessárias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue das carnes sufocadas, e das uniões ilegítimas. Fares bem preservando-vos destas coisas. Passai bem.”

Então, foram de fato os Apóstolos – conduzidos neste episódio por Pedro e Tiago – que aboliram a observância do sábado – e também a circuncisão, as leis dietéticas do kosher, e também as “festas e festivais, e as luas novas”…(Colossenses 2:16-17, já contempladas na primeira parte da discussão). Uma leitura cuidadosa do décimo quinto capítulo do livro de São Lucas ,Atos dos Apóstolos, mostrará que não se trata de uma mero estratagema – realmente é verdade. Mesmo que os Apóstolos não quisessem num primeiro momento abolir a guarda do sábado, o Espírito Santo ainda assim guiou o curso de suas deliberações – e a escrita do decreto Apostólico. E o decreto definitivamente exclui a observância do sábado da lista de “coisas necessárias”. Se o Espírito Santo quisesse manter a guarda do sábado na lista de “coisas necessárias”, pode apostar que estaria lá – independentemente das intenções dos Apóstolos.

Isto definitivamente NÃO é algo que a maioria dos Adventistas do Sétimo Dia está preparado para discutir, nem mesmo aqueles com algum preparo teológico médio. Mas devemos avançar a discussão apenas um pouco mais.

Primeiro, o Concílio de Jerusalém em Atos 15 foi proclamado originalmente com uma única questão em pauta: os homens Cristãos devem se sujeitas ao rito da circuncisão da Aliança Abraâmica? (Atos 15:1 e Atos 15:5).

Em segundo lugar, foi na verdade os Fariseus (sim, havia numerosos Fariseus na Igreja que Cristo fundou) que insistiram que esta pauta deveria ser expandida para considerar sujeitar os Cristãos a TODAS os mandamentos da Aliança do Sinais (Atos 15:5). Isso só pode ser interpretado como um movimento do Espírito Santo.

Em terceiro lugar, o que o Concílio determinou sob o guia do Espírito Santo na verdade é muito lógico para a razão humana. Se você vai abolir uma determinação da Aliança de Abraão – circuncisão – que tem prioridade lógica, cronológica e legal sobre as obrigações estritas da Aliança do Sinai – um rito para o qual a tradição oral dos judeus permitia que as leis do pacto sabático (Aliança do Sinai) fossem dispensadas – então faz muito sentido abolir (pelo menos a maior parte) das obrigações da Aliança do Sinai, também. É por isso que a guarda do sábado, dentre outros, foi abolida no Concílio de Jerusalém em Atos 15.

Finalmente, voltamos à questão da lei natural – uma lei que surge do fato de que todos os homens são feitos à imagem e semelhança de Deus. A lei natural nos impele a adorar a Deus. Abolir a observância do sábado judaico definitivamente não poderia apagar este requisito da lei natural – não mais do que abolir a maioria das disposições do Pacto do Sinai poderia ser interpretado como sancionando a negligência dos pais, assassinato, roubo, mentira e cobiça. Assim também, devemos adorar somente a Deus porque isso vem da lei natural. Desde o sacrifício de Abel, continuando com o sacrifício de Noé no Monte Ararat, prosseguindo ao sacrifício de Abraão, nosso pai na fé, e até os sacrifícios Levíticos prescritos pela Aliança do Sinai e, finalmente, nesta última era, o sacrifício perfeito do próprio Filho de Deus – o qual o Apocalipse de São João revela como sendo perpétuo na Grande Liturgia – em todas as eras, passadas e as que hão de vir, o homem adora a Deus. Este impulso é nossa natureza. A satisfação desse impulso nos torna semelhantes a ele.

Então, de que forma a adoração Cristã se distingue da guarda do sábado? Você se lembra do início da discussão que São Paulo colocou a observância sabática como uma mera sombra comparado com a real substância que é o próprio Cristo? Os sábados eram meras sombras porque, como Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revoga-los, mas dar-lhes pleno cumprimento.” (Mateus 5:17). A adoração Cristã, adorando em Espírito e em Verdade, cumpre e torna explícito o que se encontrava implícito na Antiga Lei. Eu sei, eu sei – nós adoramos subordinando-nos à Grande Liturgia, perpetuamente existente no céu, mas trazida à terra pela ação do Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, em cada Missa. A Liturgia é a fonte e o ápice da vida Cristã. Isto tudo é certamente verdade. Mas há uma segunda maneira na qual a adoração Cristã cumpre e torna explícito o que era sombra na antiga lei, também.

O sábado dos Cristãos é perpétuo e contínuo, de momento a momento – do momento do Batismo sem que nunca cesse, especialmente quando a morte nos inaugura para a vida real da Grande e Perpétua Liturgia no Céu. JUSTAMENTE PORQUE a Grande Liturgia no Livro do Apocalipse nunca termina, NOSSO sábado, da mesma forma, nunca acaba. Agora que estamos em Cristo, não mais vivemos, mas Cristo vive em nós (Gálatas 2:20) – e a Sua vida e Sua Graça (Atos 15:11, Gálatas 2:21). E esta vida, esta graça, o verdadeiro e perfeito sábado do Cristo – repouso, felicidade, bênção, alegria, harmonia, paz – nunca acaba. Isto é o que faz a inquietação e protesto Adventistas sobre a guarda do sábado massivamente incoerentes para um Católico. Os ritos exteriores judaicos estão abolidos [NÃO se encontram nas “coisas necessárias” de Atos 15:20,29], para o que era apenas um tipo de sonho do que era perfeito, verdadeiro e belo pudesse ser revelado, cumprido e aperfeiçoado. Os ritos Judaicos exteriores foram abolidos, e em seu lugar está a perfeita, verdadeira e REAL SUBSTÂNCIA brilhando com toda a esplêndida glória daquela primeira manhã de Páscoa. Não surpreende que seja aquela manhã que comemoremos em perpetuidade em cada Domingo, em vez do sombrio e insubstancial tipo que o sábado representa. Mas nosso sábado real não é o Domingo. Nosso sábado real é a vida de Cristo em nós. Enquanto os Judeus buscavam a guarda do sábado para que pudessem ocasionalmente repousar em Deus, para os Cristãos o real sábado é completo, e Deus vem repousar perpetuamente em nós! Sempre e para sempre, sem cessar, sem interrupções de momento a momento – sábado perpétuo – pelos méritos do nosso BATISMO.

Você está surpreso por eu ter dito que entramos no real sábado do Senhor por meio do nosso batismo? Bem, vamos descobrir. É realmente muito simples. Sexta-feira, o Dia da Preparação, engloba a Paixão do Senhor. Domingo, o primeiro e oitavo dia, o dia no qual Jesus ressuscitou dos mortos, engloba a Páscoa, a derrocada e vitória sobre a morte. Mas, ah, o Sábado, o “sabbath”, engloba o dia no qual o cadáver de nosso Senhor descansou num verdadeiro estágio de morte no seio da nossa terra. E não seria o sepultamento pela imersão na água mais do que um mero sinal, mas sim o artigo real? Leiam por vocês mesmos:

Romanos 6:3-4 (BJ) – Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova.

Colossenses 2:12 (BJ) – Fostes sepultados com ele no batismo, também com ele ressuscitastes, pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos.

E isto está PRECISAMENTE no contexto em que o Apóstolo Paulo, apenas alguns versículos depois, resume brilhantemente com a declaração que começou o debate –

Colossenses 2:16-17 (BJ) –Portanto, ninguém vos julgue por questões de comida e de bebida, ou a respeito de festas anuais ou de lua nova ou de sábados, que são apenas sombra de coisas que haviam de vir, mas a realidade é o corpo de Cristo.

A saber, eles encontram seu preenchimento, sua completude e perfeição no batismo, ao se levantar das águas pelas quais foram infundidas a própria vida, a graça, o próprio Deus ! E, repito, esta própria vida de Deus, Sua Graça em nós, é contínua para sempre. Portanto, o sábado dos Cristãos é perpétuo e contínuo, e não mais a efêmera, fugaz e semanal guarda da lei Mosaica.

Teófilo de Antioquia

Porque o jejum da Epifania pode cair num Domingo, vamos colher algumas tâmaras ou outras frutas, assim honrando o Dia do Senhor, e mostrando nossa aversão à heresia, sem negligenciar totalmente o jejum que deve ser observado neste dia[Epifania]; não comendo mais até nossa assembleia noturna às três da tarde (Roberts, Prosophonesus 1 [148 d.C.]).

Justino Mártir

Justino, filósofo em Roma, testifica que era um discípulo do Apóstolo São João enquanto estudava filosofia em Éfeso na juventude.

“Também nós observaríamos essa circuncisão carnal, guardaríamos os sábados e todas as vossas festas se não soubéssemos o motivo pelo qual vos foram ordenadas, isto é, por causa de vossas iniquidades e da vossa dureza de coração. Porque, se suportamos tudo o que nos faz sofrer por parte dos homens e dos maus demônios, de modo que até no meio do mais espantoso, a morte e os tormentos, rogamos que Deus tenha misericórdia daqueles que nos tratam assim. E em nada nos desejamos vingar deles, assim como o nosso novo Legislador nos ordenou . Ó Trifão, como não haveríamos de guardar o que em nada nos prejudica, isto é, a circuncisão carnal, os sábados e as festas?… Por causa de vossas iniquidades e de vossos pais, Deus também vos mandou que guardásseis o sábado como sinal, conforme falei antes, e deu a vós os outros mandamentos…” (Roberts, Diálogo com Trifão, o Judeu 18,21 [155 d.C.])

O apontamento do mártir “Deus vos mandou que guardásseis o sábado…” é precisamente isto. Gênesis 2:2-3 na verdade é o simples relato de um fato, “Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação.”

NOTE que não há absolutamente NENHUM mandamento imposto à raça humana neste momento sobre a guarda do Sábado nestes versos. A primeira menção correlacionando o SÁBADO com um mandamento de guarda na Bíblia realmente não ocorre até Êxodo 16:23 – “[Moisés] Ele lhes disse: “Eis o que disse Iahweh: Amanhã é repouso completo, um santo sábado para Iahweh. Cozei o que quiserdes cozer, e fervei o que quiserdes ferver, e o que sobrar, guardai-o de reserva para a manhã seguinte.” Esta cena é a jornada ao Monte Horeb, muitos anos depois da Queda. Esta é a primeira vez que Deus dá qualquer mandamento sobre a guarda do sábado – e é dado aos Israelitas, e não aos pagãos.

“Assim, antecipadamente fala dos sacrifícios que nós, as nações, lhe oferecemos em todo lugar, isto é, o pão da Eucaristia e o cálice da própria Eucaristia e ao mesmo tempo diz que nós glorificamos o seu nome e vós o profanais. Quanto ao mandamento da circuncisão, exigindo que todos os nascidos deveriam ser circuncidados absolutamente no oitavo dia, isso também era figura da verdadeira circuncisão, com a qual Jesus Cristo nosso Senhor, ressuscitado no primeiro dia da semana, nos circuncidou do erro e da maldade. Com efeito, o primeiro dia da semana, embora sendo o primeiro de todos os dias, se forem contados novamente todos os dias, ele se torna o oitavo da série, sem deixar de ser o primeiro.” (Roberts, Diálogo com Trifão, o Judeu, 41,21 [155 d.C.]).

“Assim como a circuncisão iniciou-se em Abraão e o sábado, sacrifícios, oferendas e festas com Moisés, e já foi demonstrado que tudo isso foi ordenado por causa da dureza do vosso coração, do mesmo modo, por vontade do Pai, tudo teria que terminar em Cristo, Filho de Deus, nascido da virgem da descendência de Abraão, da tribo de Judá e de Davi. E foi anunciado que ele, lei eterna e nova aliança para o mundo todo, deveria vir, como indicam todas as profecias por mim citadas.” (Roberts, Diálogo com Trifão, o Judeu, 43,21 [155 d.C.])

“Celebramos essa reunião geral no dia do sol [Sunday – Domingo], porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos.” (Roberts, I Apologia 67 [155 d.C.]).

“No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se leem, enquanto o tempo o permite, as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: “Amém”. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos.” (Roberts, I Apologia 67 [155 d.C.]).

BARDESANES DE EDESSA

“E o que devemos dizer da nova raça de nós, cristãos, que Cristo em Seu advento plantou em todos os países e em todas as regiões? Pois, vejam só! onde quer que estejamos, todos nós somos chamados pelo único nome de Cristo – Cristãos. Em um dia, o primeiro dia de CADA semana, nós nos montamos. . . e renove em todos os lugares a oblação do Senhor Jesus, pela Oração de Ação de Graças do bispo [Eucaristia] sobre o pão e o vinho” (Roberts, Leis das Nações [165 d.C.}).

CLEMENTE DE ALEXANDRIA

O quarto mandamento. E a quarta palavra é aquela que sugere que o mundo foi criado por Deus, e que Ele nos deu o sétimo dia como um descanso, por causa dos problemas que há na vida. Pois Deus é incapaz de fadiga, sofrimento e necessidade. Mas nós, que carregamos carne, precisamos descansar. No sétimo dia, portanto, é proclamado um descanso – para distrair o cansaço – e preparar para o Oitavo Dia, nosso verdadeiro descanso; que, na verdade, é a primeira criação da luz, na qual todas as coisas são vistas e possuídas. Desde o Oitavo Dia, a Primeira Sabedoria e o Verdadeiro Conhecimento nos iluminam. Pois a Luz da Verdade – uma luz verdadeira, sem sombra, é o Espírito de Deus indivisivelmente dividido a todos os que são santificados pela fé, ocupando o lugar de uma luminária, a fim de conhecer as existências reais. Seguindo-O, portanto, por toda a nossa vida, tornamo-nos intransponíveis; e isso é para descansar” (Roberts, The Stromata, 16 [171 d.C.]).

TERTULIANO

“Não se importe com aquele que afirma que o sábado ainda deve ser observado como um bálsamo de salvação, e circuncisão no oitavo dia. . . nos ensinam que, no passado, os homens justos guardavam o sábado ou praticavam a circuncisão e, portanto, eram considerados “amigos de Deus”. Sabemos que isso é falso pelas Escrituras. Além disso, se a circuncisão purifica um homem, visto que Deus fez Adão incircunciso, por que Ele não o circuncidou, mesmo depois de seu pecado, se a circuncisão purifica?… Portanto, visto que Deus originou Adão incircunciso e não observador do sábado, consequentemente também sua descendência, Abel, oferecendo-lhe sacrifícios, incircunciso e não observador do sábado, foi por Ele [Deus] recomendado [Gênesis 4: 1-7, Hebreus 11: 4 ] . . . Noé também, incircunciso – sim, e não observador do sábado – Deus libertou do dilúvio. Também para Enoque, homem muito justo, incircunciso e não observador do sábado, Ele o arrebatou deste mundo, e [Enoque] não experimentou a morte para que, sendo um candidato à vida eterna, pudesse nos mostrar que também podemos, sem o fardo da lei de Moisés, agradar a Deus” (Roberts, Uma Resposta aos Judeus 2 [203 DC]).

Repetimos. Por “não observador do sábado” , Tertuliano se refere precisamente a isto. Gênesis 2:2-3 na verdade é o simples relato de um fato, “Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação.”

Repetimos. NOTE que não há absolutamente NENHUM mandamento imposto à raça humana neste momento sobre a guarda do Sábado nestes versos. A primeira menção correlacionando o SÁBADO com um mandamento de guarda na Bíblia realmente não ocorre até Êxodo 16:23 – “[Moisés] Ele lhes disse: “Eis o que disse Iahweh: Amanhã é repouso completo, um santo sábado para Iahweh. Cozei o que quiserdes cozer, e fervei o que quiserdes ferver, e o que sobrar, guardai-o de reserva para a manhã seguinte.” Esta cena é a jornada ao Monte Horeb, muitos anos depois da Queda. Esta é a primeira vez que Deus dá qualquer mandamento sobre a guarda do sábado – e é dado aos Israelitas, e não aos pagãos.

DIDASCÁLIA

“Os Apóstolos indicaram ainda: No primeiro dia da semana haja serviço, e a leitura das Sagradas Escrituras, e a oblação [sacrifício da missa], porque no primeiro dia da semana [domingo] nosso Senhor ressuscitou de o lugar dos mortos, e no primeiro dia da semana Ele ressuscitou sobre o mundo, e no primeiro dia da semana Ele ascendeu ao céu, e no primeiro dia da semana Ele aparecerá finalmente com os anjos do céu (Roberts, Didascalia 2 [AD 225]).”

ORÍGENES

“Portanto, não é possível que o dia de descanso após o sábado passasse a existir a partir do sétimo [dia] de nosso Deus. Pelo contrário, é de nosso Salvador que, segundo o padrão de Seu próprio descanso, nos fez ser feitos à semelhança de Sua morte e, portanto, também de Sua ressurreição” (Roberts, Comentário sobre João 2:28 [229 DC] )

PEDRO DE ALEXANDRIA

“A quarta-feira deve ser jejuada, porque então os judeus conspiraram para trair Jesus; Sexta-feira, porque Ele então sofreu por nós. Consideramos o domingo como o Dia do Senhor. Será um dia de alegria, porque então nosso Senhor ressuscitou.” (Roberts, Sermão sobre a Penitência 15 [247 AD])

CIPRIANO DE CARTAGO

“Pois porque o oitavo dia, isto é, o primeiro dia após o sábado, era para ser aquele em que o Senhor deveria ressuscitar, e nos vivificar e nos dar a circuncisão do espírito, o oitavo dia, isto é, o primeiro dia após o sábado, o dia do Senhor, [Dies Dominicus; observe que Dominicus segue o padrão do grego – Kuriakos – sendo um adjetivo formado a partir do substantivo Dominus, e NÃO sendo o genitivo Domini do substantivo (Kuriou no grego)] anterior na figura; essa figura cessou quando a verdade veio, e a circuncisão espiritual foi dada a nós.” (Roberts, Epístola 58 [Para Fidus sobre o Batismo de Crianças] [250 DC].

VICTORINUS

“O sexto dia [sexta-feira] é chamado parasceve, ou seja, a preparação do reino… Também neste dia, por causa da paixão do Senhor Jesus Cristo, fazemos uma estação para Deus ou um jejum. No sétimo dia Ele descansou de todas as Suas obras, abençoou-o e santificou-o. Antigamente, costumamos jejuar rigorosamente, para que no Dia do Senhor possamos sair ao nosso Pão com ações de graças [Eucaristia]. E deixe o parasceve se tornar um jejum rigoroso, para que não pareçamos observar qualquer sábado com os judeus. . . cujo sábado Ele [Cristo] em seu corpo aboliu .” (Roberts, The Creation of the World [300 AD]).

EUSÉBIO DE CESAREIA

“Eles [os primeiros santos do Antigo Testamento] não se importavam com a circuncisão do corpo, nem nós [os cristãos]. Eles não se importavam em observar os sábados, nem nós. Eles não evitavam certos tipos de comida, nem consideravam as outras distinções que Moisés primeiro entregou à sua posteridade para serem observadas como símbolos sombrios [Colossenses 2:17]; nem os cristãos de hoje fazem tais coisas.” (Roberts, Church History 1: 4: 8 [312 AD]).

Novamente, a primeira vez que há um mandamento a respeito do sábado não vem no tempo dos primeiros santos do Antigo Testamento, mas milhares de anos depois, quando os israelitas estavam viajando para o Monte Horeb após a fuga do Egito – e o mandamento foi dado aos israelitas, e não aos gentios.

“O dia de Sua luz [de Cristo]. . . foi o dia de Sua ressurreição dentre os mortos, que eles dizem, como sendo o único dia verdadeiramente sagrado e o Dia do Senhor [as duas palavras usadas por São João – Kuriake Hemera], é melhor do que qualquer número de dias, pois normalmente os entendemos, e melhor do que os dias separados pela lei mosaica para festas, luas novas e sábados, que o apóstolo [Paulo] ensina que são a sombra [Colossenses 2:17] dos dias e não os dias na realidade [Gálatas 5: 1-6, conforme citado acima].”(Roberts, Prova do Evangelho 4: 16: 186 [319 DC]).

ATANÁSIO

“O sábado foi o fim da primeira criação, o dia do Senhor [aqui aquelas duas palavras usadas por São João – Kuriake Hemera] foi o início do segundo, no qual Ele renovou e restaurou o antigo da mesma forma que prescreveu que eles deveriam observar o sábado como um memorial do fim das primeiras coisas. Portanto, honramos o Dia do Senhor [Kuriake Hemera] como sendo o memorial da nova criação.” (Roberts, On Sabbath and Circumcision 3 [AD 345]).

CIRILO DE JERUSALÉM

“Não caia na seita dos samaritanos ou no judaísmo, pois Jesus Cristo já resgatou você. Afaste-se de toda observância dos sábados e de chamar quaisquer carnes indiferentes de comuns ou impuras.” (Roberts, Palestras catequéticas 4:37 [350 AD]).

SÍNODO DE LAODICEIA

“O Preâmbulo observa que este é um sínodo puramente local de bispos: “O santo sínodo que se reuniu em Laodicéia, na Frígia Pacatiana, de várias regiões da Ásia, apresenta as definições eclesiásticas que estão anexadas a seguir.” O Papa não presidiu a este sínodo, nem o convocou. Ele declara claramente o ensino apostólico que os bispos reunidos receberam, sob a orientação do Espírito Santo.

“Os cristãos não devem judaizar e não devem ficar ociosos no sábado, mas devem trabalhar nesse dia; eles devem, no entanto, reverenciar particularmente o Dia do Senhor [Kuriake Hemera] e, se possível, não trabalhar aos domingos, porque são cristãos.” (Roberts, Cânon 29 [360 AD]).

Durante a Quaresma, o Pão e o Vinho não devem ser oferecidos, exceto aos domingos (Roberts, Cânon 49 [360 d.C.]).

As natividades dos mártires não devem ser celebradas na Quaresma, mas as comemorações dos santos mártires devem ser feitas apenas aos domingos [Roberts, Cânon 51 [d.C. 360]).

JOÃO CRISÓSTOMO

“Tu te revestiste de Cristo, e te tornaste membro do Senhor, estás inscrito na cidade do alto, e ainda rastejas acerca da Lei? E como poderás conseguir o reino? Escuta como Paulo diz que o evangelho é subvertido pela observância da Lei. Se quiseres, aprende também até que ponto, e simultaneamente te horroriza e foge do abismo. Por que, então, observas o sábado, e jejuas com eles?” (Comentários sobre a Carta aos Gálatas 2:17 [395 d.C.])

“[Quando] Ele [Deus] disse: “Não matarás… Ele não acrescentou, “porque o assassinato é uma coisa perversa”. A razão é que a consciência havia ensinado isso de antemão, e Ele fala assim, para aqueles que conhecem e entendem o ponto. Portanto, quando Ele nos fala de outro mandamento, não conhecido por nós por ditames da consciência, Ele não apenas proíbe, mas acrescenta a razão. Quando, por exemplo, Ele deu o mandamento a respeito do sábado – “No sétimo dia não farás nenhum trabalho” – acrescentou também o motivo dessa cessação. Qual foi ele? “Porque no sétimo dia Deus descansou de todas as suas obras que tinha começado a fazer” [Ex. 20: 10-11]… Então, com que propósito, pergunto, Ele acrescentou um motivo a respeito do sábado, mas não o fez com respeito ao assassinato? Porque este mandamento não era um dos principais. Não foi um daqueles que foram definidos com precisão em nossa consciência, mas uma espécie de parcial e temporária, e por isso foi abolido posteriormente. Mas os que são necessários e sustentam a nossa vida são os seguintes: “Não matarás… Não cometerás adultério… Você não deve roubar.” Por causa disso, Ele não acrescenta nenhuma razão neste caso, nem entra em qualquer instrução sobre o assunto, mas se contenta com a simples proibição.” (Roberts, Homilias sobre os Estatutos 12: 9 [387 d.C.]).

“O rito da circuncisão era venerável no relato dos judeus, visto que a própria lei deu lugar a ele, e o sábado era menos estimado do que a circuncisão. Para que a circuncisão pudesse ser realizada, o sábado foi quebrado; mas para que o sábado fosse guardado, a circuncisão nunca foi quebrada; e marque, eu oro, a dispensação de Deus. Este é considerado ainda mais solene do que o sábado, por não ser omitido em certos momentos. Quando então acaba, muito mais acaba o sábado.” (Roberts, Homilias em Filipenses 10 [402 AD]).

AS CONSTITUIÇÕES APOSTÓLICAS

“E no dia da ressurreição de nosso Senhor, que é o Dia do Senhor [Kuriake Hemera], reúna-se mais diligentemente, enviando louvores a Deus que fez o universo por Jesus, e o enviou a nós, e condescendeu em deixá-lo sofrer, e o ressuscitou dos mortos. Do contrário, que desculpas ele fará a Deus, que não se reunirá naquele dia. . . no qual é realizada a leitura dos profetas, a pregação do evangelho, a oblação do sacrifício, o dom do alimento sagrado.” (Roberts, Constituições Apostólicas 2: 7: 60 [400 AD]).

AGOSTINHO DE HIPONA

“Bem, agora, eu gostaria de ouvir o que há nesses Dez Mandamentos, EXCETO a observância do sábado, que não deve ser guardada por um cristão… Qual desses mandamentos alguém diria que o cristão não deve guardar? É possível argumentar que não é a lei que foi escrita nessas duas tábuas que o apóstolo [Paulo] descreve como “a carta que mata” [2Cor 3: 6], mas a lei da circuncisão e os outros ritos sagrados que agora foram abolidos.”(Roberts, The Spirit and the Letter 24 [412 DC]).

PAPA GREGÓRIO I

“Chegou a meus ouvidos que certos homens de espírito perverso semearam entre vocês algumas coisas que são erradas e opostas à santa fé, de modo a proibir qualquer trabalho que seja feito no dia de sábado. O que mais posso chamar a estes [homens] senão pregadores do Anticristo, que quando vier causarão o dia do Senhor e também o dia do Senhor [Dies Dominicus – daí o nome para o domingo em todas as línguas românicas – Domingo (espanhol, português ), Domenico (italiano), Dimanche (francês), Dominic (catalão), etc. – novamente, observe o uso adjetivo, não genitivo (Domini) do substantivo (Dominus)] para ser mantido livre de todo trabalho. Pois porque ele [o Anticristo] finge morrer e ressuscitar, ele deseja que o Dia do Senhor seja celebrado em reverência; e porque ele compele o povo a judaizar para que possa trazer de volta o rito externo da lei e sujeitar a si mesmo a perfídia dos judeus, ele deseja que o sábado seja observado. Pois o que foi dito pelo profeta: “Não trarás fardo pelas tuas portas no dia de sábado” [Jeremias 17:24] poderia ser mantido enquanto fosse lícito que a lei fosse observada de acordo com a letra. Mas depois que a graça do Deus todo-poderoso, nosso Senhor Jesus Cristo, apareceu, os mandamentos da lei de Moisés que foram falados figurativamente não podem ser guardados de acordo com a letra. Pois se alguém diz que isso sobre o sábado deve ser guardado, ele precisa dizer que sacrifícios carnais devem ser oferecidos. Ele deve dizer também que o mandamento sobre a circuncisão do corpo ainda não foi mantido. Mas deixe-o ouvir o apóstolo Paulo dizendo em oposição a ele: “Se fores circuncidado, Cristo de nada aproveitará.” [Gálatas 5: 2, como citado acima] (Roberts, Cartas 13: 1 [597 DC]).

CONCLUSÃO

Aí está. Provamos que a acusação de que, em algum tempo indeterminado DEPOIS da Era Apostólica, a Igreja Católica “mudou” o dia de guarda do Sábado para o Domingo é espúria. A acusação ignora os fatos históricos. A acusação se baseia em meias-verdades, sugestões, e falácias lógicas. Os próprios Apóstolos fizeram a mudança condenada pelos Adventistas do Sétimo Dia. Seus sucessores escolhidos a dedo e seus discípulos meramente praticaram o que pregaram os Apóstolos – desde o mais tenro começo. O Papa, na sua posição de guardião, defensor e confirmador da verdade, meramente observa os fatos e pronuncia um imparcial, mas definitivo, julgamento sobre o que eles significavam – quase dois séculos APÓS Santo Agostinho.

Em outras palavras, o Supremo Pontífice da Igreja Católica simplesmente afirma a Tradição transmitida pelos próprios Apóstolos – muito, muito, muito depois de outros (e aqueles citados nesta muito breve exposição não são de maneira alguma todos eles) terem dito a mesma coisa, porque os próprios Apóstolos assim o disseram a eles, também.

O ponto NÃO é que os Católicos considerem os escritos dos mártires e de seus sucessores como uma Escritura – nós não consideramos. O ponto é que seus escritos são testemunhas diretas e verdadeiras do que eles receberam dos Apóstolos. Todos os Cristãos honram os mártires – os Cristãos de todas as denominações conclamam ao mártires para si. Estes mártires morreram por defender as ideias que expressaram acima.

Os textos dos sucessores dos Apóstolos, datando dos mais primitivos séculos Cristãos, enquanto tidos como testemunhas confiáveis e fidedignas do que era ensinado pelos Apóstolos, não podem e não devem ser tidas numa luz menos favorável do que os ensinamentos e raciocínios ilusórios de William Miller em 1844 e a “visionária” Ellen White depois de 1849. Na verdade, os sucessores escolhidos a dedo pelos Apóstolos deveriam ser mais grandemente honrados, já que estão historicamente muito mais próximos das fontes originais. Miller e White se posicionam como representantes de uma escola pós-modernista de desconstrução histórica do tipo mais escandaloso.

Desde a primeira geração, todos os Cristãos, os Apóstolos também, observaram o Domingo como o Dia do Senhor. Os Adventistas do Sétimo Dia seguem o seu próprio novo ensinamento, instituído por William Miller apenas em 1844 e “confirmado” pelas “visões” de Ellen White após a morte de Miller em 1849.

Hebreus 13:9 (BJ) – Não vos deixeis enganar por doutrinas ecléticas e estranhas. Porque é bom que o coração seja fortificado pela graça e não por alimentos, os quais nunca foram de proveito para aqueles que fazem disso uma questão de observância.

1 Coríntios 14:20 (BJ) – Irmãos, quando ao modo de julgares, não sejais como crianças; quanto à malícia, sim, sede crianças, mas, quanto ao modo de julgar, sede adultos.

Para Deus e seu Cristo, que foi, É e retornará, toda a Glória, louvor, honra e ação de graças, agora e para sempre. Amém !


[1] O “Genitivo” é um caso comum em línguas sintáticas, isto é, línguas nas quais as terminações das palavras variam conforme a função que exercem na frase. No Latim, por exemplo, temos o Caso Nominativo para o Sujeito, o Caso Acusativo para o Objeto Direto, o Caso Ablativo para os Adjuntos Adverbiais, e assim por diante. O Caso Genitivo é o caso que especifica um termo, quase sempre com a ideia de posse. Por exemplo: Alma de Cristo. Notamos que não se trata de qualquer alma, mas sim de uma alma específica, a alma de Cristo. Portanto, “de Cristo” exerce função genitiva sobre “alma”, e receberá uma terminação específica da língua para designar esta relação. Na língua latina, seria especificamente, neste caso, um “i”, então se seguiria “Anima Christi”. [Nota do Tradutor]

[2] Em outras palavras, as Alianças de Deus só valem dali “para frente” (ex nunc), mas não vigoram dali “para trás” (ex tunc), ou seja, não retroagem. [N. do Tradutor]

Original: http://www.reesnet.com/theology/sabbathorsunday/index.htm

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