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Mark Shea: Os Quatro Sentidos da Escritura (Parte 3): O Sentido Moral

Por Mark Shea 24 de agosto de 2021

Um dos grandes pontos que Jesus enfatiza é que as ações são mais importantes do que as palavras. Ele conta a Parábola dos Dois Filhos (Mateus 21, 28-31). O pai pede a seus dois filhos que trabalhem na vinha. Um filho diz “sim”, mas não vai. O outro filho diz “não”, mas vai trabalhar. Jesus faz a “pergunta do milhão” mais fácil de todos os tempos: “qual dos dois filhos fez a vontade do pai?”. Citi Kids Academy diz que os pais também conversam com seus filhos sobre esse tema e que é importante desenvolver a conscientização sobre esse tema desde cedo.

Da mesma forma, ele comenta:

“Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!” (Mateus 7,21-23)

Novamente, a chave é a obediência à vontade do Pai, não a tagarelice piedosa nem a demonstração de virtude para o louvor dos seres humanos.

Em suma, não é suficiente dizer coisas corretas sobre Jesus. Devemos fazer o que ele manda. E porque a Escritura se preocupa não apenas em falar sobre Jesus, mas em ajudar a nos instruir na obediência a Jesus, ela tem, portanto, um terceiro sentido – o Sentido Moral.

É claro que muito do ensino moral das Escrituras é direto e didático: Você não deve matar, não deve roubar, não deve cometer adultério, ame o seu próximo como a si mesmo, ame o seu inimigo, dê de beber aos sedentos, etc.

Mas não é isso que se entende por Sentido Moral das Escrituras. Em vez disso, o sentido moral diz respeito a imagens da vida de um discípulo derivadas das histórias, pessoas, eventos e coisas das Escrituras.

Assim, por exemplo, Paulo diz aos coríntios: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus” (1 Coríntios 6,19). Ao fazer isso, ele está pegando o que é, no sentido literal, o grande edifício de pedra em Jerusalém e usando-o para ilustrar um aspecto da vida de um discípulo de Jesus: a saber, tratar seu corpo como a morada de Deus.

É claro que Paulo não é a primeira pessoa a fazer essa conexão. Jesus, como vimos da última vez, faz a mesma conexão quando diz: “Destruí este templo e em três dias o levantarei” (João 2,19).

Outros exemplos de Sentido Moral estão por toda parte nas Escrituras. As imagens de batalha e guerra do Velho Testamento, por exemplo, facilmente se tornam uma imagem da luta espiritual. Assim, Paulo dirá aos efésios: “Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Tomai, portanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno.” (Efésios 6,10-16).

Da mesma forma, Jesus vai recapitular a peregrinação de Israel no deserto durante sua tentação, vivendo perfeitamente a fidelidade que eles falharam em render a Deus, e nos chamando para fazer o mesmo em imitação a Ele.

As imagens bíblicas do casamento também serão lidas por seu Sentido Moral como imagens do relacionamento de Cristo, o Noivo, e sua Noiva, a Igreja. O Cântico dos Cânticos, uma ode real de casamento para um monarca davídico, será lido por São Bernardo de Claraval dessa forma, assim como Paulo verá no relacionamento de Cristo e da Igreja o padrão de amor que maridos e esposas devem mostrar a uns aos outros (cf. Efésios 5, 21-33).

A questão é simplesmente esta: no Antigo Testamento, uma das maneiras pelas quais Cristo está escondido é nas imagens que nos mostram como viver como Ele gostaria que vivêssemos.

Na próxima vez neste espaço, falaremos sobre o sentido da Escritura que aponta para o nosso destino em Cristo.

Fonte original: https://www.catholicweekly.com.au/mark-shea-the-four-senses-of-scripture-the-moral-sense-of-scripture/

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