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Ladrão na Cruz (Os Sacramentos São Desnecessários?)

Muitos protestantes evangélicos gostam de argumentar que o ladrão na cruz próximo a Jesus não era batizado, mas foi para o Céu mesmo assim. (Lc 23: 39-43). A partir disso, eles, então, concluem que tanto o batismo, quanto os sacramentos em geral, não são necessários para a salvação. 

Este é um argumento fraco e insubstancial desde o princípio porque pressupõe a falácia de erroneamente aplicar os elementos de uma situação extraordinária e excepcional a situações ordinárias (i.e., o rotineiro batismo infantil). Isso é tão ilegítimo quanto argumentar a partir dos “casos difíceis” do aborto a favor do aborto ilimitado sob demanda. C.S Lewis dizia: “As regras do xadrez são o que criam os problemas do xadrez.” Não se pode jogar fora as regras ao encontrar um “problema” visível ou em potencial que é possibilitado pela própria existência da regra em si! 

A Igreja Católica sempre reconheceu o batismo de desejo:

Com efeito, também podem conseguir a salvação eterna aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, no entanto procuram Deus com um coração sincero e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade conhecida através do que a consciência lhes dita (Vaticano II: Constituição Sobre a Igreja I, 16; cf. Catecismo da Igreja Católica, #1257-1261)

Em outras palavras, o ladrão estava nessa situação. Ele tinha o desejo da salvação (poderia-se até dizer, de batismo), mas obviamente, não estava em condições de recebê-la! Generalizar a partir desse caso específico para qualquer um é claramente ilógico. Além disso, o paraíso neste versículo (Lc 23:43) sobre o ladrão na cruz (se interpretado literalmente) não se refere nem mesmo ao Céu, e de fato, não poderia, pois Jesus não estava no Céu naquele dia (“Hoje…”). Ele foi crucificado na sexta e não ressuscitou dos mortos até domingo. De fato, ele não ascendeu aos Céus até 40 dias após a ressurreição (Atos 1:3, 9-11; cf. Jo 20:17).

Entre a Sexta-feira Santa e o Domingo de Páscoa, Ele desceu ao Sheol, ou Hades, o lugar dos mortos (justos e injustos – veja Lucas 16:19-31) para pregar aos cativos (mortos justos).

Nós sabemos disso pelas passagens como 1Pd 3: 19-20, 4:6 e Ef 4:8-10 (cf. Rm 10:7, At 2:27). Logo, então, o Paraíso em Lucas 23:43 refere-se a Sheol, não o céu. Esta conclusão é inevitável a partir da exegese bíblica. 

O Dicionário Teológico do Novo Testamento de Kittel (uma fonte linguística protestante padrão e irrepreensível), por exemplo, sustenta esse ponto de vista que não é uma crença apenas católica, mas também de protestantes conservadores (ver também a respeitada referência protestante New Bible Dictionary, J.D. Douglas, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, edição 1962, 935)

Quando alguns protestantes reclamam que o batismo não é necessário de forma alguma, eles estão em clara violação de liminares e exemplos das escrituras (e.g., Mt 28:19; Cl 2:11-12; Jo 4:1-2; Ef 4:5, At 10:48, Gl 3:27). Todos os cristãos, exceto os Quakers e o Exército da Salvação, sustentaram a necessidade do batismo (quando não do batismo regenerativo). Não há opção para o crente neste aspecto, desde que ele possa ser batizado (que não é o caso do ladrão).

Ademais, o batismo está explicitamente vinculado à salvação em diversas passagens (At 2:38; 1Pd 3:21 [cf. Mc 16:16; Rm 6:3-4], Jo 3:5; At 22:16; 1Cor 6:11; Tt 3:5). Estes constituem provas para a regeneração batismal, que é sustentado não apenas pelos católicos, mas também pelos Ortodoxos Orientais, Luteranos, Metodistas, Anglicanos, Igrejas de Cristo e Discípulos de Cristo. Certamente, é tão necessário que um cristão seja batizado, quanto é necessário “receber Jesus em seu coração” (o que não pode ser encontrado na Bíblia nesses termos), sendo ou não considerado regenerativo.

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