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Eu não tinha mais como não ser católico

Chamo-me Jonathan Juvencio, advogado de Garanhuns (PE), e com muita alegria posso hoje propagar a verdade sobre a nossa amada Igreja, tão criticada injustamente, por aqueles que, por ignorância, preferem se fechar em suas próprias mentes, e não buscam entender a verdade que Cristo nos propõe diariamente. Quando criança, meus pais eram frequentadores da Igreja Católica. Digo frequentadores, pois como grande parte do nosso povo, que já nasceu dentro da Igreja, iam apenas por rotina, sem entender bem o que tudo ali significava. Até os 9, 10 anos de idade, o catolicismo era a referência de fé que eu tinha.

Porém, surgiu uma protestante, amiga de minha mãe, que colocou na cabeça dela que o motivo do casamento com meu pai não estar dando certo era porque ela não servia ao Deus verdadeiro. Com certa insistência, a “católica” foi convencida a conhecer a igreja presbiteriana, e desde então, passou a frequentá-la. Com o casamento cada vez mais conturbado, meus pais resolveram se divorciar. E eu, naturalmente como qualquer criança, acompanhei minha mãe em sua nova religião. Naquele lugar aprendi tudo que eu sei sobre Deus. Porém, aprendi também a julgar os católicos, adjetivando-os como os adoradores de imagens, idólatras, características comuns para definir qualquer um que não professasse a mesma fé que eu.

Durante os muitos anos que passei sendo protestante, várias vezes fiz questão de lembrar aos meus amigos católicos o quanto eles estavam errados, e o quão condenados eles estavam, por estarem deturpando a Bíblia, supostamente a “única fonte de fé e prática”. Tornei-me pregador, e em meus sermões fazia questão de agradecer à Deus por ter me tirado da Igreja Católica, e por ter me revelado a verdade. Ali tocava, cantava, ministrava, presidia o regional de jovens… Era o pastorzinho. Ledo engano o meu, em achar que a verdade estaria ali.

Alguns anos depois, já não vivia aquela realidade com tanto afinco. Acabei me afastando dos compromissos assumidos na igreja, e infelizmente, deixando os prazeres do mundo falarem mais alto. Aos meus 18 anos, fui estudar em outro estado, o que me deu a “oportunidade” da liberdade, sem familiares por perto, e sem precisar fazer escondido dos irmãos da igreja, aquilo que já fazia em minha cidade natal. Passei 6 meses sem nem entrar numa igreja, me envolvi com pessoas que nem em Deus acreditava. Álcool e maconha passaram a ser os companheiros mais fiéis para a solidão de uma cidade totalmente desconhecida. Nesse pouco tempo, percebi que tinha me transformado, já não era aquele John de antes. Resolvi então voltar para casa, e tentar recomeçar.

Um amigo muito católico, há tempos me incentivava para fazer um encontro de jovens na paróquia dele. Obviamente sempre recusava. Oras, o que eu iria fazer naquele antro de idolatria e blasfêmia?! Mesmo sem ir mais pra igreja protestante, em minha mente eu conhecia a verdade. Quando voltei a Garanhuns, no entanto, há 6 anos atrás, eu já não tinha nada mais a perder. Fui vencido pela insistência dele, e fiz o Encontro de Jovens com Cristo (EJC) na paróquia de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Estava esperando encontrar lá um monte de beatos, que só rezam o terço dia e noite, aquelas coisas que para a juventude são chatas, além de muita adoração à Maria. Fui bastante cético de que seria tocado, mas para a minha surpresa, aquele foi o final de semana mais incrível de toda a minha vida! Quando acabou o retiro, eu estava completamente desnorteado. Como era possível sentir Deus tão forte e real em algo da Igreja Católica?! Na minha mente protestante, isso era inconcebível. Mil perguntas permearam a minha cabeça, e fiquei de fato perturbado. Como eu ia chegar em casa e falar pra minha mãe protestante que encontrei Jesus na Igreja dos idólatras?! Como iria explicar aos colegas que o pastorzinho sentiu atração pelo catolicismo?! Entrei numa mini crise existencial, e comecei a me questionar se tudo que eu passei a vida acreditando e pregando não passava de grandes mentiras.

Vi-me diante de uma questão inédita: Percebi que precisaria estudar, para entender onde de fato estaria a verdade. Se eu quisesse encontrar respostas, teria que assumir que não sabia de nada, e me debruçar nos livros até entender o que de fato eram o catolicismo e o protestantismo. Estava muito confuso, então comecei a confrontar estudos de padres e de pastores, livros católicos e livros protestantes, sempre buscando essa verdade que eu precisava encontrar. Foram 3 meses de leituras e debates, até que um texto protestante aparentou finalmente ter me convencido: eu deveria continuar na igreja presbiteriana. Então, cessei os estudos sobre o catolicismo, e voltei a frequentar a igreja de minha mãe. Aquela sensação maravilhosa que senti no encontro católico teria sido mera emoção de minha mente. Resolvi desprezar.

Precisava comunicar a minha decisão para a família católica que tinha me acolhido, e me incentivado a fazer aquele retiro. Como éramos muito próximos, sabia que eles entenderiam, e não continuariam insistindo para que me convertesse ao catolicismo. Lá fui eu. Falei para a mãe do meu amigo que tinha tomado a decisão de permanecer protestante, porque tinha estudado a igreja dela, e percebido que a verdade estava no protestantismo.

Ao falar isso, percebi em seu rosto uma grande aflição, e em meio às lágrimas ela me falou as seguintes palavras: “Tudo bem, meu filho. Não vou mais insistir. Só lhe peço duas coisas: primeiro, onde quer que você esteja, seja cristão de verdade. E segundo, não saia por aí dizendo que você conhece a Igreja Católica, porque você não a conhece!” Ao ouvir isso, me bateu um misto de alegria e tristeza. Alegria em ver que, a todo tempo, ela só queria que eu fosse um cristão melhor, não se travava de uma disputa entre denominações. Tristeza em notar que ela afirmava que todo o tempo de estudo sobre a igreja nas madrugadas foi uma grande enganação para mim mesmo. Questionei então o que ela queria que eu fizesse, já que eu não tinha encontrado as respostas sobre o catolicismo nas pesquisas. Ela me perguntou se já tinha falado com o padre. Essa ideia nunca passara pela minha mente, já que eu não acreditava que ele teria as respostas que os livros não me deram. Com relutância, aceitei a proposta dela, e marquei uma conversa com o pároco dali.

Confesso que estava chateado em estar sendo novamente submetido a ir em um templo católico, cheio de imagens e idolatria. Esse sentimento me incentivou a me preparar para essa conversa com todas as armas que eu tinha para “desmascarar” aquele padre. Fiz uma lista com perguntas sobre a sua Igreja, e ao lado destacava versículos bíblicos que, na minha mente, me dariam razão na discussão. Cheguei para a conversa, e comecei a questionar o pároco de todas as maneiras possíveis. A cada resposta obtida, fazia uma réplica, na intenção de deixá-lo sem resposta. Mas para minha surpresa, com a minha própria bíblia protestante, ele apresentava outras argumentações, que me deixavam sem ter o que falar.

Após algumas semanas de debates quase diários, a minha lista de questionamentos havia se esgotado. Já não havia nada sobre o catolicismo que aquele homem não tivesse colocado na minha mente como a verdade mais óbvia possível. Eu precisava aceitar que a verdade estava ali, na Igreja Católica, aquela que eu passei toda minha juventude criticando!

Eu não tinha mais como não ser católico. O versículo que marca fortemente a minha conversão é o que diz “Conhecereis a verdade, e ela vos libertará.” Parece que Jesus disse isso olhando nos meus olhos! Eu precisava tomar a coragem para escancarar para o mundo que eu havia voltado para casa. Claro que todos os meus antigos “amigos” protestantes viraram-me as costas, assim que souberam. Para um protestante, o natural é a conversão de católicos. Um “evangélico” virar católico chega a ser uma aberração. Mas graças a Deus, muito mais amigos de fé Jesus me apresentou em Sua casa, de modo que hoje, afirmo que “não dá mais pra voltar, o mar é Deus, e o barco sou eu.”

Hoje sou o único católico de minha casa, por isso peço orações aos irmãos pela minha casa. Aos poucos, vamos cumprindo a missão de Cristo, de “ir por todo o mundo, e anunciar o evangelho à toda criatura.” Que Deus nos dê a força para continuar anunciando a verdade que Ele nos deixou, e que a misericórdia do Senhor alcance milhares e milhares de almas, levando todos de volta ao lar.

Jonathan Juvencio

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