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Cristo é a fonte da vida católica — Rafael Vitola Brodbeck

“Os protestantes jactam-se de serem cristocêntricos, como se os católicos não o fossem. Nada mais falso. Tudo entre nós está centrado em Cristo. A Igreja, sem a qual não há salvação, como dizemos, é de Cristo, e Ele é a sua cabeça. O Papa ao qual estamos sujeitos e que dirige toda a Igreja, é de Cristo o Vigário. Os sacramentos que nos dão a graça fluem do coração de Cristo na Cruz. Todas as nossas orações iniciam-se com o sinal da cruz que menciona o Cristo. Aliás, as orações dirigidas ao Pai são terminadas em nome de Cristo, isso quando não dirigidas ao próprio Cristo (ou, quando dirigidas ao Espírito Santo, mencionam o Cristo). Até mesmo o culto dos santos e da Virgem Maria só tem razão de ser em Cristo, e a intercessão que cremos que eles podem realizar é exercida junto a Cristo. Ao nome de Cristo baixamos a cabeça em nossas orações, principalmente nas litúrgicas, e os hinos e cânticos são majoritariamente centrados em Cristo. A Tradição Apostólica, que veneramos ao lado da Bíblia, só existe porque é ensino transmitido aos Apóstolos e por eles aos Bispos primeiramente por Cristo.

Os protestantes jactam-se de lerem a Bíblia a todo instante, como se católicos não o fizessem. Nada mais falso. Na Missa, temos, nos Domingos e Solenidades, três leituras, uma do Antigo Testamento, outra do Novo Testamento e mais o Evangelho, além do salmo responsorial, tudo da Bíblia. Nos dias de semana, temos na Missa duas leituras, sendo uma do Evangelho, e mais o salmo, também tudo da Bíblia. Fora isso, em todas as Missas, de Domingo, de Solenidade, de festa, de memória, votiva, ritual, ou de dia de semana, antífonas de entrada, de ofertório e de comunhão, mais de 90% delas com textos da Bíblia. As orações Coleta, Sobre as Oferendas e Depois da Comunhão, além dos Prefácios, tudo isso mudando a cada Missa, são cheios de citações da Bíblia ou de conteúdo que, com outra linguagem, pode ser encontrado na Bíblia. E as partes fixas da Missa também possuem rico conteúdo da Bíblia. Quem vai à Missa todo Domingo tem, em um ano, um panorama de leitura da Bíblia talvez mais amplo e completo do que o protestante que vai ao culto todos os dias. Sem contar as celebrações dos sacramentos, cheios de referências e textos das Bíblia, e a Liturgia das Horas (a cada hora canônica um ofício diferente é rezado com vários salmos e textos do Antigo e do Novo Testamento, além de antífonas, tudo ou quase tudo da Bíblia). As ladainhas são recheadas de figuras e expressões da Bíblia. Os vitrais de nossas igrejas e as decorações de nossos altares possuem ensinos e histórias da Bíblia. Os hinos e cânticos, gregorianos, polifônicos e populares sacros (os decentes, de hinários, não a porcaria pop atual) são em grande parte compostos a partir de textos da Bíblia. Todos os grandes sermões dos santos e os documentos dos Papas e dos Bispos são permeados de citações da Bíblia.

Os protestantes jactam-se de acreditarem que tudo é devido à graça, como se católicos não acreditassem do mesmo modo. Nada mais falso. Também nós temos tudo mediante a graça e nada fora dela. Os sacramentos não competem com a graça como se fossem outros meios de salvação, mas são canais da própria graça, de modo que se somos salvos pelos sacramentos, o somos porque deles nos vem a graça. A própria liberdade humana é um dom da graça e nenhum homem pode responder livremente com a sua vontade ao chamado de Deus se assim não dispuser a graça.

Nossas diferenças, irmãos protestantes, não são essas, mas baseadas unicamente – e todos os erros e heresias do protestantismo saem daí – no equivocado conceito de que a Bíblia é a única fonte de fé e regra de vida, o que importa em dizer que, enquanto ela estava sendo composta, ou quando não havia ainda certeza de quais livros a ela pertenciam, não poderia ter havido Igreja cristã, o que sabemos ser falso.

Para um autêntico e produtivo debate entre católicos e protestantes, importa que o católico conheça a fundo o protestantismo e suas doutrinas, não se deixando levar por preconceitos. Da mesma forma, contudo, o protestante deve conhecer a fundo o catolicismo e suas doutrinas, e não achar que o católico crê no que ele, na verdade, não crê.”

Rafael Vitola Brodbeck, um dos maiores apologistas católicos do Brasil.

 

 

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