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Como somos salvos?

Santo Agostinho e Santo Tomás, por exemplo, entendem que quando São Paulo fala de obras da lei, referem-se à toda à Lei de Deus, não só à circuncisão e às leis dietéticas e cerimoniais do Antigo Testamento (AT).

De fato, se lermos os primeiros três capítulos de Romanos, Paulo está discutindo com judeus que crêem que a circuncisão é o meio para a salvação, mas o argumento dele é que a circuncisão é parte da Lei, e que a Lei, as obras da Lei, ou a obediência à Lei de Deus, não pode salvar, porque o homem pecador não é capaz de obedecer a Lei.

Nos capítulos 3 e 4, então, ele argumenta que estando o homem condenado (e não salvo) pela própria lei, é por meio de Cristo, que pagou pelos nossos pecados (pela nossa desobediência à lei) na cruz, que somos salvos. 

E o que o home precisa fazer para receber essa justificação por meio do sangue de Cristo? Ter fé! Mas a fé não é apenas assentimento intelectual ou confiança. A fé envolve isso, mas vai além. A palavra fé no grego (pistis), como no latim (fide), significa FIDELIDADE. Ter fé em Cristo é reconhecê-lo como Senhor e declarar-se fiel a ele. É conversão, implicando arrependimento do pecado e firme decisão de mudar de vida (não é apenas acreditar ou confiar). Não é a toa que a única vez que Paulo descreve o ato de fé que salva em Romanos é no Cap. 10, quando ele diz que a fé se creres no teu coração que Jesus ressuscitou e com a tua boca o confessares que ele é Senhor, serás salvo.

É curioso, porque os evangélicos interpretam esse versículo como o equivalente à “aceitar Jesus”, a responder ao apelo em um culto, etc. Mas não é disso que Paulo está falando. Repare que ele nem cita a morte de Jesus, apenas a sua ressurreição, e nem fala de aceitar Jesus como salvador, mas de confessá-lo como Senhor: porque as duas coisas – ressurreição e Senhorio de Cristo – estão ligadas. A Epístola começa dizendo que Jesus foi feito Senhor com poder por meio da sua ressurreição: ou seja, a fé que Paulo exige é declarar-se fiel, submeter-se ao Senhor ressuscitado e glorificado que irá reinar sobre o céu e a terra.

Mas a Epístola continua. No capítulo 5, Paulo afirma que, se fomos salvos pela morte de Cristo, muito mais o seremos pela sua vida. E no capítulo 6 explica que morremos com Cristo no batismo e ressuscitamos com ele: ou seja, que a mesma vida sobrenatural que há em Cristo, há também em nós. Por isso, não viveremos mais no pecado, mas em santidade, por isso, agora, já não é só a morte de Cristo que nós salva, mas a sua vida, por meio das obras de santidade que praticamos.

Veja bem: em geral, protestantes crêem numa justiça passiva e numa justiça ativa de Cristo, ambas imputadas a nós. Para sermos salvos precisamos de duas coisas:

1) reparar os nossos pecados, a fim de não termos que ir para o inferno;

2) fazer algo para merecermos ir para o Céu.

Os protestantes creem que por meio da morte de Cristo ELE, e não nós, reparou, pagou, ou nossos pecados.

Eles crêem que, além disso, os méritos das boas obras de Cristo são imputados a nós. Então ele mereceu o céu no nosso lugar, nós não precisamos fazer nada para merecer.

Para nós católicos não é assim. De fato, nós cremos que Cristo já pagou nossos pecados na cruz (como São Paulo disse: somos salvos pela morte de Cristo).

Mas nós também somos salvos pela vida de Cristo, ou seja, a vida de Cristo em nós que nos santifica e nos leva a praticar boas obras: por essas obras, nós mesmos merecemos o céu. 

Assim, a salvação é pela graça, mas não pela graça somente. A graça de Deus nos capacita para merecermos o Céu. Sem a graça de Deus, não poderíamos fazer nada para merecer o Céu, mas uma vez que recebemos a graça, podemos cooperar com ela pelas nossas obras.

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