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SOBRE A SANTIDADE E OS SANTOS

Falando resumidamente, ser santo é ser aquilo que Deus, ainda na Eternidade, “antes” da Criação (antes do pecado, portanto), quis que fôssemos. É “andar com Deus”, como Enoque (Gn 5:24). Se toda a Criação é sustentada pela Palavra de Deus (Hb 1:3) e Cristo é a Palavra Encarnada, o Logos Encarnado que expressa o próprio Deus em todas as suas ações e palavras, então ser santo é ser verdadeira “palavra”, ou seja, é expressar não apenas com voz e escritos, mas com a própria vida, aquilo que o próprio Jesus Cristo expressaria se vivesse em nosso lugar. Em Gálatas 2:20 o apóstolo São Paulo coloca isso muito bem quando diz “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim”.

Pois bem, o que é maravilhoso de ser constatado é que um santo configurado a Cristo, se observarmos bem, é uma “palavra” ou uma “resposta” de Deus não apenas para pessoas, mas também para o “espírito” de cada época. Isso valia antes de Cristo e continua valendo até hoje. Dou alguns exemplos.

Numa época em que o povo hebreu corria o risco de perecer material e espiritualmente por conta da escravidão e do politeísmo dos egípcios que o subjugavam, Deus “respondia” com a vida de Moisés, que mais que mero portador e transmissor, foi verdadeiramente o símbolo da Lei Antiga, Lei “Mosaica”, que deu aos israelitas as Pedras Fundamentais de sua nacionalidade e de sua fé. Séculos mais tarde, enquanto os guerreiros filisteus ameaçavam a sobrevivência da nação de Jacó, Deus “respondeu” com o jovem Davi, o caçula de Jessé, mostrando que sua majestade e poder brilham muito mais na humildade e nas canções de um pequeno pastor do que nas cabeças coroadas e nas espadas dos gigantes orgulhosos e blasfemos do mundo. Após o estabelecimento definitivo em sua terra, sempre que o povo hebreu parecia estar se perdendo e correndo o risco de sumir no meio das brumas da história como outros povos seus contemporâneos sumiram, Deus “respondia” na boca e na vida de seus profetas. Aos apóstatas e arrogantes israelitas do Reino do Norte, “respondeu” nas vidas de Oséias e Amós. Aos do Reino do Sul, ciosos de sua glória temporária frente aos inimigos, “respondeu” com Isaías e sua profecia da glória eterna do Messias vindouro. Quando o povo do Sul estava quase ensurdecido pela paixão da idolatria, Deus “respondeu” com as profecias, lamentos e lágrimas de Jeremias. Aos adivinhos e prognosticadores da Babilônia e da Pérsia, Deus “respondeu” com as visões celestiais de Ezequiel e com a profunda sabedoria de Daniel. Os chamados “profetas menores” após o Exílio foram, de forma geral, a resposta de Deus às esperanças que Seu povo nutria pela restauração de sua pátria e de seu país.

Após a vida terrena e ressurreição de Cristo, Palavra Eterna encarnada, num tempo de homens brutos e rudes, com o povo de Deus vivendo sob o jugo de um Império Romano alicerçado por uma cultura grega, o Deus Único dos hebreus “respondeu” ao criar a sua Igreja sobre as vidas de São Pedro, “Pedra” (Mt 16,18), bruto e rude “pescador de homens”, e São Paulo, “hebreu e filho de hebreus” (Fp 3,5), cidadão romano e detentor de vasto conhecimento da língua e da cultura de seu tempo.

Já na Idade Média, enquanto os cátaros albigenses tinham aversão ao corpo e à Criação como um todo, Deus “respondia” com as vidas de São Francisco de Assis e Santo Antônio de Pádua, homens apaixonados pela Obra criada e cujas palavras eram ouvidas até mesmo pelos animais. Séculos depois, na aurora da Idade Moderna, enquanto Lutero e os demais protestantes de seu tempo se digladiavam com suas questões sobre o pecado e a impossibilidade do homem alcançar ou ser alcançado por Deus e espalharam suas heresias pela Europa, Deus simplesmente “respondia” nas próprias vidas de Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, mestres da vida mística e ascética. Na mesma época, enquanto a Europa caminhava rumo à formação de estados soberanos e alguns de seus príncipes queriam “igrejas nacionais”, Deus simplesmente “respondia” com São Francisco Xavier pregando no Extremo Oriente e São José de Anchieta pregando nas Américas, ambos mostrando com suas vidas e ações que a Palavra Divina é plena, universal, CATÓLICA!

Já nos nossos dias, o século XX, o mais incrédulo e sanguinário da história, viu Deus “responder” ao seu ceticismo e morticínios com a vida, os milagres grandiosos e os estigmas de São Pio de Pietrelcina. No mesmo período, enquanto o zelo pelos desvalidos era um mero enfeite para as ambições hipócritas de governantes sedentos de poder, Deus “respondeu” nas vidas humildes e amorosas de Santa Teresa de Calcutá e Santa Dulce dos Pobres. E já no final de tão turbulenta centúria, foi com o Papa São João Paulo II que Deus deu a resposta final ao orgulhoso império comunista dos soviéticos.

Omitiu-se aqui, é claro, por motivos de espaço, muitíssimos exemplos de homens e mulheres grandiosos na história. Os chamados Padres da Igreja, Santa Hildegarda, São Bernardo de Claraval, os mártires do Japão dos séculos XVI e XVII, Santo Inácio de Loyola, Santo Afonso de Ligório, Santa Teresinha, São Maximiliano Kolbe e São Josemaria Escrivá são apenas alguns que poderiam facilmente figurar na lista acima. Os que são citados, entretanto, são muito mais do que suficientes para que se prove cabalmente que Cristo cumpre sua promessa: “Eis que estou convosco TODOS OS DIAS, até o fim o mundo.” (Mt 28,20) Ele está presente na Santíssima Eucaristia, e também está presente FALANDO por meio dos seus santos!

Quem tem ouvidos para OUVIR, ouça!!!

Alexandre Reis

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