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Meu primeiro ano de católico

Santa Teresa ensina que à medida que nos aproximamos de Deus crescemos em autoconhecimento. É um pouco disso que tenho experimentado nesse primeiro ano de católico. Sinto como se Deus estivesse me contando minha própria história. 

Parte da minha história Ele me contou fazendo-me ver alguns personagens do próprio Evangelho e é isso que vou partilhar aqui neste texto. 

Lucas 19,2-9

Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura.

Ele correu adiante, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali.

Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa. Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente.

Vendo isto, todos murmuravam e diziam: Ele vai hospedar-se em casa de um pecador… Disse-lhe Jesus: Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão.

Em certo momento da vida, assim como Zaqueu, minha alma partiu em busca do meu Senhor. Senti uma sede por Deus, um desejo de alcançá-lo. 

O Apóstolo deixa claro que buscar a Deus é dever de todo ser humano: “se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós” (At 17,27). 

Tenho de procurá-lo como que às apalpadelas, ou seja, tateando no escuro, porque sou de baixa estatura como o meu amigo Zaqueu. Com a Queda, minha alma foi obscurecida e perdeu parte da capacidade natural de conhecê-Lo.

Eu ansiava encontrar a Cristo. Especialmente no culto em que se celebrava a Santa Ceia, minha oração era:

“Ah! Se eu pudesse estar lá aos pés da Cruz! 

Ah! Se eu pudesse lhe dizer algumas palavras pessoalmente! 

Eu teria tanto para lhe dizer, eu lhe pediria tantas desculpas pelos meus pecados. 

Quantas juras de amor eu não lhe faria!”. 

Pensando nisso eu me entristecia, pois jurava que seria impossível nessa vida estar diante dEle dessa maneira.

Ouvi dizer que Jesus poderia estar em um lugar e fui checar para saber se era verdade. Eu, como Zaqueu que subiu na árvore para procurar Jesus, decidi verificar se Jesus poderia mesmo estar presente na Eucaristia. 

A dúvida, com o tempo, cedeu lugar à vontade. Eu comecei querendo verificar a doutrina católica num aspecto meramente intelectual, mas terminei com o coração ardendo, desejando profundamente que ela fosse verdadeira.

Jesus está presente na Eucaristia? Eu ainda não sabia se estava, mas desejava profundamente que sim.

Foi quando eu descobri a Igreja. Encontrei meu lar. Minha mãe, a Igreja, já estava me esperando (assim como espera todos os seus filhos que estão separados). Decidi ser filho da Igreja e abraçar a fé que Ela ensina. Sou filho da igreja porque fui convencido que Ela sabe mais do que eu, pois é guiada pelo Espírito da Verdade. 

A história de Zaqueu foi marcada por um encontro seguido de um convite. “Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa.”

Jesus, no dia 22 de setembro de 2018, fez-me o mesmo convite “Matheus, desce depressa, vem até o altar, porque é preciso que eu fique em tua casa.” 

Ele foi capaz de vir sob as aparências de pão e vinho. Ele, o Rei da Glória, cujo Nome está acima de todo nome, veio até mim sob aspecto de pão e se ofereceu como comida, só para estarmos unidos. Que os sábios da terra tentem em vão calcular a grandeza desse amor.

Se eu buscava Jesus, muito mais Ele me buscava. Agora posso dizer que meu Amado é meu e eu sou dEle, todo dEle, pois nossa união é visível no sacramento de amor da Eucaristia. Se Jesus é meu, o céu e a terra são meus, os anjos são meus, os santos são meus, as virtudes são minhas, Nossa Senhora é minha… Tudo é meu, pois o Cristo é meu. Essa é a plenitude da fé católica. É muito bom ser católico!

Ele vai hospedar-se em casa de pecador? Só há uma explicação: Ele me ama e nada vai impedir que Ele venha até mim, nem mesmo o meu pecado. Ele virá e me purificará. Eu serei, enfim, como Ele quer que eu seja. 

Oh, Jesus, como não amar-te perdidamente?

22 de setembro de 2019

Matheus Andrade

Sou católico, tenho 23 anos e moro em Natal/RN.

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