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Católicos regressos, ministros Protestantes, Muçulmanos, Judeus, ateus e agnósticos – o apresentador de “The Journey Home” discute as razões pelas quais pessoas com as mais diferentes histórias de fé abraçam a plenitude da Verdade e da graça de Deus.

March 30, 2018

Jeanette Flood

Tradução de Arthur Olinto e Matheus Larsan.

Revisão de Rafael Mateus.

Embora a frequência à Missa e as taxas de permanência estejam diminuindo, o movimento na Igreja Católica não é apenas em um sentido. Milhares estão se convertendo à Igreja – cerca de 100.000 pessoas nos EUA se convertem todos os anos. O Catholic World Report (CWR) entrevistou Marcus Grodi, um ex-pastor presbiteriano, que fundou a Coming Home Network (Rede Voltando para Casa) em 1993 para apoiar os ministros protestantes no caminho para a Igreja de Roma. Apresentador no canal católico de televisão EWTN e do programa de rádio The Journey Home (A Jornada para o Lar), que recentemente comemorou seu 20º aniversário, ele tem entrevistado convertidos ao catolicismo nas últimas duas décadas.

CWR: Quais são as razões pelas quais as pessoas estão se tornando católicas?  Vamos começar com os Protestantes.

Marcus Grodi: Eu tenho que começar dizendo que se você perguntasse a todos os convidados dos últimos 20 anos do programa The Journey Home ou aos colaboradores da The Coming Home, qual foi a principal razão para que seus corações e mentes fossem abertos à Igreja Católica, eles diriam em unanimidade que foi a graça de Deus. Todo convertido conhece amigos e colegas de trabalho que ainda são protestantes, que ouviram tudo ou muito do que nós ouvimos, leram tudo o que lemos e não estão interessados. A maioria dos meus amigos protestantes continuam acreditando que “ninguém em sã consciência sequer consideraria se tornar católico” (provavelmente é o que eles pensam de mim!) Então, por que nós, e não eles? E aí está a mistério da graça.

Dito isto, geralmente são dois os fatores que a graça usa para despertar as pessoas. Primeiro, elas começam a ver problemas onde estão. Então se incomodam com certos aspectos de sua doutrina ou igreja – por exemplo, a direção que muitas denominações estão tomando quanto às questões morais. Para muitos anglicanos foi a ordenação de mulheres, ou a ordenação de homossexuais como sacerdotes e bispos. Para mim foi o problema da Sola Scriptura. Essas questões não tornam as pessoas católicas, mas podem ser a pedra no sapato de alguém que, através do desconforto e da dúvida, a leva à caminhada.  

Para outros é porque, pela primeira vez em suas vidas, pela graça divina, eles são despertados para algo sobre a Igreja Católica – por uma palestra que ouviram, um livro que leram, uma transmissão de televisão ou rádio ou uma história de conversão. Às vezes eles estarão lendo as Escrituras, e, repentinamente, um verso salta aos olhos, e eles veem isso de uma maneira que nunca viram antes. O versículo desafia suas pressuposições protestantes e assim começa sua jornada para a Igreja Católica. Para mim, foi o versículo de 1 Timóteo 3,15, que diz que o “a Igreja é pilar e baluarte da verdade”; bem eu sempre assumi que era a Bíblia. Meus Livros “Uma Fundação firme” e “Pilar e Baluarte” (ainda não disponíveis em português) explicam exatamente o que estou falando: há problemas que despertam a necessidade da jornada, e então o Espírito Santo usa a verdade sobre a Igreja para atrair alguém à Igreja.

As questões mais comuns são autoridade – a autoridade das Escrituras versus a da Igreja – questões morais e, por vezes, questões teológicas, é claro. Para algumas pessoas, é a liturgia; eles são atraídos pela beleza, ou pelo significado da Eucaristia. Algumas pessoas são atraídas pela arte, pela música, pelos grandes clássicos, canto e iconografia. Eles são atraídos para essas coisas, e então são atraídos para a Igreja; o Senhor usa estas e muitas outras para abrir corações e mentes para a plenitude da fé católica.

CWR: Para muitos a vinda para a Igreja Católica é um trajeto intelectual?

Grodi: Eu acho que a verdade – no sentido intelectual – é uma razão muito comum para os protestantes. Existem outras razões, e eu não diria que a verdade (intelectual) é a única.

Quando um protestante se torna católico, outros protestantes costumam dizer: “Bem, ele não devia conhecer muito bem sua fé.” O que é o oposto da verdade. Geralmente, a razão pela qual um protestante se torna católico é porque eles aprenderam muito mais sobre sua fé do que antes. Eles são atraídos para a Verdade; eles conhecem melhor sua fé, e é por isso que eles se tornam católicos. Muitas vezes a razão pela qual os católicos deixam a Igreja Católica é porque eles não conhecem bem a sua fé e, portanto, são atraídos por outras coisas. Se conhecessem a fé não teriam deixado a Igreja.

CWRComo o movimento pró-vida e os ataques à liberdade religiosa construíram pontes com pessoas de outras religiões?

Grodi: Eu realmente acredito que o ecumenismo dos últimos 55 e tantos anos abriu as portas para os nossos irmãos separados se tornarem mais abertos para a Igreja Católica. E uma das razões é porque eles se tornaram mais amigos dos católicos, e muitas vezes através de atividades pró-vida. Isso foi uma grande parte da jornada da minha esposa. Marilyn foi diretora de Conselho anti-aborto, e a maioria das pessoas com quem ela trabalhava eram Católicos. Ela ficou impressionada com a consistência, com a devoção e com as convicções desses católicos. Muitas das histórias de conversões do programa foram iniciadas em atividades pró-vida.

CWRParece que um número crescente de muçulmanos está se convertendo ao Cristianismo e ao Catolicismo. Você pode nos contar um pouco mais sobre isso?

Grodi: Para ser honesto, só posso generalizar, porque não me envolvi com muitos muçulmanos convertidos. Nós tivemos um número de muçulmanos que estavam dispostos – em princípio – a darem o seu testemunho, mas depois, por medo, recuaram. Por isso eu não tive muitas entrevistas com Muçulmanos.  Eu diria, por um lado, que as mesmas razões que atraem Protestantes para a Igreja Católica podem ser vistas entre muçulmanos e judeus, mas é interessante notar que uma alta porcentagem de muçulmanos convertidos diz que seu despertar para a Igreja surgiu através de visões e sonhos.

CWR: E quanto aos judeus?

Grodi: Em nossa sociedade temos um bom número de ex-judeus. Uma questão particularmente importante para o convertido judeu é a continuidade do catolicismo com o judaísmo. A maioria dos judeus conversos que entrevistei veem a si mesmos como “judeus completos”, “judeus cristãos” e continuam valorizando sua herança judaica. E são um grande testemunho para nós aprendermos e apreciarmos a nossa própria herança judaica, que muitas vezes não damos a devida importância.

CWREles vêm pelas mesmas razões que os protestantes?

Grodi: Certamente pode ser diferente porque muitos deles não sabiam qualquer coisa sobre Jesus Cristo. Ou podem ter tido uma atitude completamente negativa em relação a Ele, ao ponto de não querer pronunciar o nome Jesus. Portanto, suas caminhadas em direção à Igreja podem ser particularmente difíceis. Enquanto os protestantes têm que superar os seus preconceitos anti-católicos e anti-papais, os judeus têm uma questão anti-Jesus.

CWRQuanto aos regressos: o que os leva a reconsiderar o catolicismo?

Grodi: Eu diria que a razão pela qual uma grande maioria dos regressos deixou a Igreja foi que eles não tinham uma boa base na fé católica. Eles foram batizados, talvez até catequizados; eles realizaram todas as atividades habituais da Igreja, mas, por algum motivo eles não tiveram uma autêntica conversão de corpo e alma. Estou generalizando, claro. Muitas vezes saem porque se casaram fora da Igreja, ou apenas perderam a fé ou encontraram Cristo em outra igreja.

Provavelmente o motivo mais comum para começarem a voltar para casa é a fome pela Eucaristia.  Sejam eles fiéis pouco ativos ou líderes de igrejas, frequentemente eles percebem que há algo faltando, mas não sabem dizer o quê. E Deus usa muitas formas para despertar as suas ovelhas. Geralmente é a Eucaristia. Às vezes é Nossa Senhora e às vezes é a autoridade infalível da Igreja.

CWR: E quanto aos  convertidos sem nenhuma fé anterior. O que os leva à Igreja?

Grodi: É tudo o que disse acima. Eu me lembro de um convidado no The Journey Home que tinha sido ateu durante toda a sua vida. Desde muito novo, ele se recusou a acreditar que havia alguma coisa que era verdadeira em todos os tempos e em todos os lugares. Mas a graça abriu seu coração para perceba que “2 + 2 = 4” é uma verdade, não importa onde você esteja, não importa o que tempo que você está vivendo, e isso significa que há uma verdade, que é algo sólido. Então, ele começou a buscar Jesus Cristo e a Igreja Católica.

Eu recentemente tive um casal de convidados que foram criados em famílias onde não havia religião alguma. O que significa não tanto que eles eram ateus, mas que Deus não era nem uma categoria. Então, isso é muito além do ateísmo. Seria como nós com um deus hindu – nos opomos contra um Deus hindu? Bem, não, nem sequer passa pela nossa cabeça. Então é assim que eles estavam com relação a Cristo e a Igreja Católica.

Eu conheço uma pessoa que teve uma visão de Maria chamando-a para seu Filho – mas ela não podia explicar isso, porque ela não tinha dados no passado que poderia alimentar uma visão sobre Maria ou Jesus! Isso foi totalmente um ato de graça.

Eu diria que, na maioria das vezes, é um relacionamento com uns fiéis católicos que os levam à Igreja. Então é aí que a nova evangelização precisa começar: com nossas próprias conversões e os nossos relacionamentos com aqueles que estão fora da Igreja.

CWR: E quanto aos números? Há mais pessoas deixando a Igreja do que chegando, pelo menos nos Estados Unidos?

Grodi: Parece que sim. Se você observar as estatísticas, elas não impressionam muito. Eu acho que os números mais recentes indicam que 22% dos americanos afirmam ser católicos, e menos da metade deles são ativos nos sacramentos. Então, nós temos muito trabalho a fazer.

O que eu vi ao longo dos anos fazendo este trabalho é que tem havido um constante fluxo de pessoas entrando na Igreja nos últimos 200 ou mais anos. Há muitos livros e documentos indicando que houve um fluxo constante de homens muito informados, muito intelectuais, muito comprometidos e mulheres voltando para a Igreja Católica. Um fluxo fino, mas é um fluxo constante, começando antes de Newman. Eu sei que algumas pessoas dirão há tantas pessoas saindo quanto chegando; que é só uma rotatividade. E eu penso os dados devem nos fazer parar e perguntar por que não há mais voltando para a Igreja. Menos de 1% dos mais de 500.000 protestantes os ministros da América parecem mostrar algum interesse pela Igreja Católica; por que tão poucos?

Suponho que alguém possa enumerar muitas razões, mas no nosso ministério, reconhecemos que realmente temos apenas uma responsabilidade: falar. Proclamar a verdade da Igreja, esse é o nosso trabalho. Para espalhar as sementes e orar com as pessoas, ser uma testemunha fiel, e então acreditar que Deus e Sua Graça despertará corações e mentes para a plenitude da Igreja, para trazer para casa aqueles a quem Ele deseja, no mistério de Sua Graça.

CWR: Há mais pastores protestantes se tornando católicos agora do que no passado?

Grodi: Houve um tempo em que eu teria respondido sem hesitação: “Sim”, porque pensei que houve um aumento escalonado nas conversões nos últimos 50 anos. Há muita variedade de histórias de conversão por aí que podem dar a impressão de um tsunami de conversos, mas talvez por causa da posição única que eu tive nos últimos 25 anos, eu vi esses dados de forma diferente. Algumas são encorajadoras, mas há um monte de coisas que me incomodam. Por que não há mais? O que está acontecendo? A razão – que os papas João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco enfatizam – é que há uma necessidade definitiva de uma nova evangelização. Sou muito grato por Deus ter aberto suas portas para que nosso ministério possa se envolver na Nova Evangelização.

Mas mesmo com tudo o que estamos fazendo, por que há mais leigos convertidos ao catolicismo do que pastores? Dos 10.000 que vieram até nós, apenas cerca de 2.300 são pastores, e menos da metade destes foram recebidos na Igreja. Aproximadamente 80% dos leigos não-católicos que nos procuram se convertem, mas quando se fala de pastores, apenas 50% – ou menos, mais perto de 40%. Por que é que mais da metade dos ministros protestantes que inicialmente mostram algum interesse na Igreja desistem de se converter? Eu conheço centenas de pastores protestantes que uma vez indicaram um interesse sério em converter, mas agora, muitos depois de 15-20 anos, não indicam nenhum interesse e continuam com sua carreira como pastores.

Muitas vezes é vocação. Quando olhamos para todas as barreiras que as pessoas que são atraídas para a Igreja enfrentam ao longo da jornada, a questão número um para os pastores é a vocação. “E aquele chamado que sei que recebi de Deus? Que eu sei que foi confirmado pela graça muitas vezes? E como vou sustentar minha família?”

Outro fator é que em nosso subconsciente americano há um sutil anticatolicismo; ele vem de nossas raízes britânicas, dos nossos fundadores puritanos. A vasta maioria dos cristãos não católicos não consegue imaginar por que alguém em sã consciência seria católico. Eles também não estão cientes de que muitos pastores protestantes já se converteram à Igreja Católica. Se eles acham que é loucura se tornar católico, eles têm que achar estranho que um ministro protestante largue tudo e se torne católico. Um pastor que é atraído pela Igreja provavelmente leu John Henry Newman e o Catecismo, então ele tem muitas informações que sua congregação não tem. Então, a preocupação do pastor é: “E as pessoas da minha igreja? Eles não entenderiam se eu me tornasse católico! Ficariam escandalizados!”

Eu acho que outro problema é que, ao longo dos séculos, nós, católicos, alienamos uma multidão de pessoas da fé. Houve certamente épocas na história em que papas católicos, bispos e teólogos defenderam o que era Verdade, mas São Paulo nos advertiu em Efésios que sempre que defendemos a Verdade, devemos fazê-lo em amor [4,15]. Houve momentos em que nós, católicos, não fomos muito sensíveis em como defendemos a Verdade, e alienamos milhares e milhares e milhares de pessoas do Evangelho. E agora há milhares e milhares de pessoas no mundo que, pela graça, amam a Jesus Cristo, mas a não ser por um milagre, nunca estariam abertas à Igreja Católica, nunca ouviriam nada que um Papa católico, cardeal, Bispo ou Sacerdote dissesse, muito menos um apresentador de talk-show de televisão católico, porque eles estão convencidos de que a Igreja Católica é a Anticristo, e que o Papa é o Anticristo.

E esses mesmos cristãos não-católicos geralmente desconfiam de qualquer um de seus líderes denominacionais que tenham a audácia de dialogar com católicos! Mas geralmente as pessoas que eles mais confiam são seus próprios pastores.

Há pessoas ao nosso redor com essas suposições negativas, e como as alcançaremos? Para mim, esse é o grande problema. Isso talvez seja parte da razão, no mistério da providência de Deus e no tempo de sua graça, que alguns ministros protestantes, que são ou parecem ser significativamente abertos à Igreja Católica, não acabam se convertendo, ou pelo menos não no tempo que esperamos. Eles ainda têm uma oportunidade dada por Deus de compartilhar o que aprenderam com aqueles que ouvirão apenas no seu ministro. Deus ama essas pessoas e “deseja que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2,4), por isso Ele tem levantado homens e mulheres em seu meio para trazê-los a Jesus Cristo. C.S. Lewis e Billy Graham, Charles Spurgeon e John Wesley, e a lista continua: bons fiéis cristãos não-católicos que trouxeram pessoas para Jesus que de outra forma nunca teriam escutado a Igreja Católica. E assim celebramos o amor deles por Cristo – eles, muitas vezes, nos fazem sentir vergonha de nós mesmos pelo modo que amam a Cristo – celebramos sua salvação, celebramos a graça. Mas também usamos a mídia, usamos tudo o que podemos, para conduzi-los com amor a plenitude da fé católica, e continuamos orando para que Deus os desperte para a plenitude em seu melhor momento e maneira.

A Coming Home Network está aqui para ficar ao lado deles, para responder perguntas, para compartilhar as histórias de outras pessoas que fizeram a mesma jornada e para ajudá-las a discernir se, de fato, Deus as está chamando para voltar para casa. A maioria dos bispos que conheço ama o trabalho que estamos fazendo. Porque estamos contando as histórias do que o Espírito Santo está fazendo na vida de homens e mulheres, atraindo-os para a Igreja, mas fazendo isso de uma maneira onde falamos a Verdade com amor, o que é a raiz do nosso ministério.

CWR: Todos os conversos ao catolicismo trouxeram um novo ânimo para a Igreja. Suas histórias significam muito para os que são católicos de berço como eu, nos ajudam a apreciar tudo o que temos na Igreja Católica e aprender mais sobre o que acreditamos e por quê. Espero que você diga às pessoas que estão pensando em se converter: “Precisamos de você!” Sou muito grato pelo que os convertidos à fé católica estão fazendo pelo Corpo Místico de Cristo.

Grodi: Eu agradeço por suas palavras. Estamos honrados que, pela graça, nos foi permitido fazer isso, e que o Senhor abriu nossos corações para a Igreja. Deus tem sido muito generoso conosco de muitas maneiras, e se pudermos ser uma testemunha como você acabou de falar, é a despeito de nós: é somente pela misericórdia e graça de Deus.

https://www.catholicworldreport.com/2018/03/30/marcus-grodi-reflects-on-trends-in-conversions-and-the-mystery-of-grace/
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